sexta-feira, 30 de março de 2012

Tudo pelo Poder

Ficha técnica: The Ides of March, 2011
Gênero: Drama;
Direção: George Clooney
Elenco: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright, Marisa Tomei.
País: Estados Unidos.
Tempo: 101 min.
Idioma: Inglês.
           
  George Clooney é conhecido por seus filmes críticos, principalmente quando assume o lugar da direção, roteiro ou produção, e com esse filme a história não é diferente. Clooney, que além de tudo atuou no filme, adaptou para o cinema o livro de Beau Willimon, Farragut North. Se a expectativa for de um filme da mesma qualidade de Boa Noite, Boa Sorte, você irá se decepcionar. Entretanto, apesar de diversas críticas de clichês e estereótipos, o filme nos traz muitos elementos interessantes.
         A história se passa durante as primárias presidenciais do partido Democrata, em que restam dois candidatos, um senador mais conservador do Arkanas, que lidera a acirrada disputa, e o liberal e idealista governador da Pensilvânia, Mike Morris. Philip Seymour Hoffman é Paul Zara, chefe da campanha de Morris, e tem ao seu lado o jovem brilhante Stephen Meyers (Ryan Gosling), o segundo em comando na campanha.
            O filme realmente traz muitos estereótipos, de maneira maniqueísta muitas vezes, e com muitas contradições. Zara (Hoffman) é realmente um paranóico com a questão da lealdade, e seu opositor na campanha do senador, Tom Duffy (Paul Giamatti) soube muito bem usar esse seu “defeito”. Entretanto, apesar desse seu valor moral, não tem escrúpulos ao sugerir alianças para Morris (Clooney), sugerindo que cedesse o cargo desejado pelo senador da Carolina do Norte, Thompson (Jeffrey Wright), em troca de seu apoio essencial para as primárias. Morris o considera um lixo.
         O próprio Meyers (Gosling), apesar de brilhante, esperto, experiente na política apesar da pouca idade, é ainda um idealista, que terá suas expectativas destruídas e seu caráter arrasado, ao se vender ao sistema. E falo ainda não somente pelo fato de sua mudança de posição no filme, mas também por ser essa a ideia que o filme passa, de que todos se corrompem. Apesar disso, Morris mostra-se de reputação ilibada – e se a perspectiva do filme é outra, difícil compreender como chegou ao governo da Pensilvânia. Entretanto, Morris também tem seu passado negro, descoberto por Meyers ao se envolver com a estagiária (um tanto óbvio) Molly Stearns (Evan Rachel Wood).
        A moça acaba morrendo após abortar o filho de Morris, e Meyers é demitido após desconfianças de Zara. Marisa Tomei também está no filme como uma jornalista do NY Times (a única imprensa no filme inteiro), e também entra nos jogos políticos da chantagem, escândalos, etc. Há muitas semelhanças com o idealismo de Obama na campanha, apesar de eu acreditar que tanto Obama quanto o personagem de Clooney possuíam um idealismo que não passava do discurso; talvez até houvesse uma intenção real, mas o sistema democrático não permitiria a realização da maior parte das promessas, e os candidatos sabem muito bem disso.
       Enfim, todos os estereótipos são apresentados de maneira supérflua, como a mudança da ingenuidade para corrupção, idealismo estando fora, discursos, e alguns lugares-comuns. Outro ponto controverso é o machismo presente no filme, em que novamente traz a mulher como sendo sempre um objeto de escândalo sexual. Entretanto, o filme traz um pouco em como as estratégias são boladas, os escândalos criados, e como são feitas as campanhas, em que as discussões políticas não importam, principalmente se as substituirmos por escândalos, fofocas etc. As emoção das pessoas é na hora da eleição está acima da razão, e todas as estratégias de campanhas foram muito bem desenhadas no filme. A questão levantada pelo filme de que quando se joga sujo nas disputas eleitorais, eles estariam aproximando-se dos Republicanos tem seu fundamento. A criação dos think tanks pelos consevadores republicanos, e o seu perfil diferente em relação aos think tanks liberais é um ponto que fortalece esse argumento, mesmo tendo sido mostrado de maneira superficial e idealizada.
      Outro ponto positivo foram atuações excelentes de todos, um elenco muito forte, que soube imprimir uma maior qualidade ao filme, com excelentes atuações de todos e todas. Gosling está impecável, desde suas falas até seu penetrante e distante olhar; os mesmos elogios cabem para Wood, que foi muito bem. Clooney está ótimo, mantendo sua excelente regularidade; Hoffman e Giamatti, atores já consagrados, também estão excelentes, e todas as cenas de enfrentamento envolvendo Gosling, Hoffman, Clooney, Tomei e Giamatti são brilhantes. A ponta de Wright também foi muito bem executada. Clooney também tem um trabalho competente com a câmera, e deixou muito claro seus argumentos, ao deixar todas as cenas limpas para que possamos ouvir tudo que é dito no filme, e ainda nos deu tempo para processar e julgar tudo que foi dito e também o que não foi, diferentemente de Fincher, no filme a Rede Social, por exemplo.
Nota 88/100

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