terça-feira, 6 de março de 2012

Histórias Cruzadas

Ficha técnica: The Help, 2011
Gênero: Drama;
Direção: Tate Taylor
Elenco: Viola Davies, Octavia Spencer, Emma Stone, Jessica Chastain, Bryce Dallas Howard, Sissy Spacek, Cicely Tyson, Ahna O'Reilly, Allison Janney, Mike Vogel, Chris Lowell;
País: EUA/Índia/EAU
Tempo: 146 min. 
Idioma: Inglês.

           É um filme muito ousado para a sociedade norte-americana, ainda que no século XXI e após elegerem um presidente afro-descendente. Ao tratar das condições em que viviam os negros no sul dos EUA, ele ataca diretamente o preconceito e racismo existente, implícito na educação da população caucasiana da região. As empregadas negras, que trabalhavam nas casas dos brancos, são o centro da história.
            Uma jornalista, Skeeter (Emma Stone), resolve contar suas histórias para publicar um livro, mas em segredo, para a segurança de todas (inclusive a dela). Obviamente ela estava visando também sua carreira, mas qual o problema de buscar uma ascensão profissional através de ações dignas de respeito e por causas justas? Cabe uma crítica (ainda que discutível) aqui pelo fato de as afro-americanas terem que ser “salvas” por uma branca, mas na realidade, foi um pacto de ajuda simultânea, pois Skeeter, bem como toda a comunidade caucasiana, também dependia dos serviços prestados pelos negros, mesmo que estes ainda não tivessem essa consciência coletiva.
            O filme demonstra bem como a questão das oportunidades não estão postas para todos de maneira igual, como tanto defendiam as mulheres brancas. Mostra como a situação dos afro-descendentes era cíclica, pois as mães, avós, bisavós, todas foram empregadas ou escravas, remontando à gravidade da escravidão e de como afetou de maneira negativa todos os afro-americanos, e afeta até hoje. Por isso, simplesmente sua abolição não foi e nunca será o suficiente; todas as sociedades em que tiveram a escravidão de algum povo por um período de tempo precisam de políticas assistenciais compensatórias, para tentar diminuir os irreparáveis danos feitos pela escravidão. E os EUA não são uma exceção.
            A obra de Tate Taylor também trás o preconceito em uma de suas formas mais fortes. Na cena em que a empregada de longos anos da família de Skeeter (interpretada de maneira comovente por Cicely Tyson) é expulsa da casa, sua mãe (Allison Janney, muito bem no filme), apesar de gostar dela e a tratar bem para os parâmetros da época e do local, demonstra vergonha em frente às amigas de não ter o preconceito que as demais tinham. A lógica que temos hoje é toda revertida, e as pessoas se envergonhavam de não demonstrar o nojento preconceito da época.
            As atuações são comoventes, todas excelentes. Stone surpreende, Jessica Chastain e Bryce Dallas Howard estão ótimas, Sissy Spacek faz uma ponta excelente, mas quem realmente rouba a cena são Viola Davis e Octavia Spencer. As duas demonstram uma excelente química, e carregam o filme com suas interpretações emocionantes e equilibradas, nos causando alegrias e tristezas. A personagem de Chastain é mais importante para a construção do filme do que aparenta. A princípio nos passa a impressão de ser uma pessoa superficial, que roubou o marido de uma amiga apenas por seus atributos “físicos”. Mas na realidade, se mostra uma excelente pessoa, não por ser ingênua (um pouco talvez), mas por ser livre dos preconceitos que toda as outras carregam. E isso, acima de tudo, deve ter lhe contado pontos para que o marido (Mike Vogel) tivesse trocado a intragável Hilly Holbrook (Howard) por ela. Um dos filmes mais impactantes do Oscar, e um dos melhores também, muito em razão da temática e do contexto estadunidense.

Nota 90/100

Um comentário:

  1. Melhor filme do Oscar!! Parabéns pela postagem, adorei o blog!

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