sábado, 31 de março de 2012

Carnage

Ficha técnica: Carnage, 2011
Gênero: Drama, Comédia;
Direção: Roman Polanski
Elenco: Jodie Foster, Kate Winslet, John C. Reilly, Christoph Waltz.
País: França, Alemanha, Polônia e Espanha.
Tempo: 80 min.
Idioma: Inglês. 
        Este é um filme curioso, que foge aos moldes tradicionais, como geralmente são os filmes de Polanski. O filme foi adaptado de uma peça de teatro, e ao meu ver, o diretor tentou ser o mais fiel possível ao cenário, fazendo com que a história se passe única e exclusivamente num apartamento. Esse fato já modifica o filme de maneira positiva.
      O casal dono do apartamento – Michael e Penelope – recebem outro casal, Alan e Nancy, para resolverem um problema de seus filhos de 11 anos. O filho dos anfitriões levou uma paulada de filho dos visitantes no rosto, perdendo dois dentes.
            O que a princípio caminhava para uma resolução tranqüila, de adultos civilizados da classe média alta estadunidense, acaba por tornar-se uma carnificina moral e verbal. As hipocrisias e ironias presentes no início tornam orgulhosas e pedantes, e os tons conciliadores passam para provocativos, até que os ataques verbais (alguns materiais e físicos) surgem.
      O filme mostra muitos aspectos da vida médio-classista de maneira escachada, e como muitas das pessoas estão na maior parte do tempo sustentando uma farsa, seja no casamento, trabalho, escola ou família. Os civilizados adultos do início, que discutiam uma adversidade do cotidiano, tornam-se crianças descontroladas e irresponsáveis, provocando, chorando e gritando. E não é apenas uma briga de casais, mas torna-se uma carnificina justamente por ser um “todos contra todos”.
     A direção está ótima, e dá uma dinâmica incrível a um filme que se passa quase que inteiramente num cômodo. Os quatro atores – John C. Reilly e Jodie Foster como pais da “vítima”; Christoph Waltz e Kate Winslet como pais do “agressor” – fazem um excelente trabalho, muito equilibrado em performance, todos com seu devido destaque, mas sem ofuscar um ao outro. As mulheres dão o toque mais dramático ao filme, enquanto os homens mais sarcástico e rude, mas todos se revezam com suas peculiaridades.
            Algumas críticas foram recebidas pelo filme quando comparado à peça, e apesar de não tê-la visto, vou aqui em defesa do longa: assim como um livro, mas em menor escala, uma peça de teatro tem uma possibilidade muito maior de nos envolver, e uma estrutura inerentemente menos limitada, se comparada ao cinema. Por isso, há comparação é necessária, mas com parcimônia. O filme pode não ser uma obra-prima, mas é bom.
Nota 82/100

Um comentário:

  1. Elenco fantástico do filme, só que poderia ser mais longo, o final foi muito ruim, acabou do nada!

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