segunda-feira, 5 de março de 2012

A Dama de Ferro

Ficha técnica: The Iron Lady, 2011
Gênero: Biografia, Drama;
Direção: Phyllida Lloyd
Elenco: Meryl Streep, Jim Broadbent, Olivia Colman, Harry Lloyd, Iain Glen, Alexandra Roach.
 País: Reino Unido, França.
Tempo: 105 min.
Idioma: Inglês


           O filme deve muito ao trabalho de Meryl Streep, que atuou como de costume, brilhantemente. Apesar disso, muitos criticaram sua atuação em razão da maquiagem pesada que esconde o ator (na minha opinião, um ponto forte do filme, pois a maquiagem está realmente excelente); também pelo fato de apenas ter imitado o sotaque e trejeitos de Thatcher, mas para mim isso também é importante, e parte de sua  excelente atuação. Digna de nota também foi a atuação de Jim Broadbent, veterano ator britânico que teve seus momentos no filme.
A película em si, apesar de uma excelente maquiagem e uma trilha sonora razoável, deixou a desejar. Seus cortes no tempo não foram bem colocados, deixando uma mistura de confusão com clichês. O fato do filme ser muito centrado na personagem principal e sua vida pessoal e luta pelo poder, lhe foi benéfico em partes, pois a atuação de Meryl foi ainda mais destacada. Entretanto, questões de como uma mulher chegou ao cargo político mais importante do Reino Unido (e como isso foi aproveitado pelas elites), dentro do partido conservador, foi apenas tangenciada; ou a dureza das políticas liberais e da Guerra das Malvinas – um palanque para reeleição e atitude imperialista, não foi tocada.
A impopularidade dela foi mostrada, mas como se fosse por estar fazendo a coisa certa; e sua queda foi mostrada apenas por perder apoio político (inclusive com ares conspiratórios no filme), mas não como fato de sua política econômica estar acabando com as vidas dos mais necessitados; o fato de ser inflexível, e a forma como nem seu próprio partido tolerou isso, foi retratado de maneira correta.
Tentou-se mostrar um lado humano da mulher que governou o país de maneira tão cruel, mas percebemos nas entrelinhas que nem seu próprio filho a apoiava, pois o fato de ter abandonado a família pelo trabalho tornou-a uma senhora solitária em sua velhice.Entretanto, este fato também pode ser usado para causar uma comoção com sua atual situação, além de ser retratada em uma casa de classe média.
Uma grande contradição foi apresentada para edificar o argumento do self-made man, pois ela tinha um pai que era pobre e conservador. Em torno de sua infância pobre ela justificava a teoria neoliberal, em que o capitalismo dava oportunidades para todos, com o terrível argumento de que só não cresce na vida quem não quer trabalhar, pois as oportunidades estariam postas igualmente para todos. Essas características atenuantes talvez se devam ao fato de fazer um filme sobre algo tão recente, de alguém que ainda está vivo.

Nota 71/100

Um comentário: