
Gênero: Biografia, Drama;
Direção: Phyllida Lloyd
Elenco: Meryl Streep, Jim Broadbent, Olivia Colman, Harry Lloyd, Iain Glen, Alexandra Roach.
País: Reino Unido, França.
Tempo: 105 min.
Idioma: Inglês
Tentou-se mostrar um lado humano da mulher que
governou o país de maneira tão cruel, mas percebemos nas entrelinhas que nem
seu próprio filho a apoiava, pois o fato de ter abandonado a família pelo
trabalho tornou-a uma senhora solitária em sua velhice.Entretanto, este fato também pode ser usado para causar uma comoção com sua atual situação, além de ser retratada em uma casa de classe média.
O filme deve
muito ao trabalho de Meryl Streep, que atuou como de costume, brilhantemente.
Apesar disso, muitos criticaram sua atuação em razão da maquiagem pesada que
esconde o ator (na minha opinião, um ponto forte do filme, pois a maquiagem
está realmente excelente); também pelo fato de apenas ter imitado o sotaque e
trejeitos de Thatcher, mas para mim isso também é importante, e parte de sua excelente atuação. Digna de nota também foi a
atuação de Jim Broadbent, veterano ator britânico que teve seus momentos no
filme.
A película em si, apesar de uma excelente maquiagem e
uma trilha sonora razoável, deixou a desejar. Seus cortes no tempo não foram
bem colocados, deixando uma mistura de confusão com clichês. O fato do filme
ser muito centrado na personagem principal e sua vida pessoal e luta pelo
poder, lhe foi benéfico em partes, pois a atuação de Meryl foi ainda mais
destacada. Entretanto, questões de como uma mulher chegou ao cargo político
mais importante do Reino Unido (e como isso foi aproveitado pelas elites),
dentro do partido conservador, foi apenas tangenciada; ou a dureza das
políticas liberais e da Guerra das Malvinas – um palanque para reeleição e
atitude imperialista, não foi tocada.
A impopularidade dela foi mostrada, mas como se
fosse por estar fazendo a coisa certa; e sua queda foi mostrada apenas por
perder apoio político (inclusive com ares conspiratórios no filme), mas não como
fato de sua política econômica estar acabando com as vidas dos mais necessitados;
o fato de ser inflexível, e a forma como nem seu próprio partido tolerou isso,
foi retratado de maneira correta.

Uma grande contradição foi apresentada para
edificar o argumento do self-made man, pois ela tinha um pai que era pobre e
conservador. Em torno de sua infância pobre ela justificava a teoria
neoliberal, em que o capitalismo dava oportunidades para todos, com o terrível argumento
de que só não cresce na vida quem não quer trabalhar, pois as oportunidades
estariam postas igualmente para todos. Essas características atenuantes talvez
se devam ao fato de fazer um filme sobre algo tão recente, de alguém que ainda
está vivo.
Nota 71/100
Essa Tatcher é um monstro
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