segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Pele que Habito

Ficha técnica: La Piel que Habito, 2011
Gênero: Suspense, Drama;
Direção: Pedro Almodóvar.
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Blanca Suárez, Roberto Álamo, Susi Sánchez.
País: Espanha.
Tempo: 117 min.
Idioma: Espanhol.

    Os filmes de Almodóvar têm a característica de nos trazer questões delicadas, que a maioria dos cineastas evita tocar, e “A Pele que Habito” não foge à regra. Neste filme, temas atuais como bioética, sexualidade e a ciência nos saltam aos olhos. Ouso dizer que este filme talvez esteja no mesmo nível de seu melhor trabalho na minha opinião, “Fale com ela”.
     Almodóvar trabalha de maneira excepcional a não-linearidade do filme. Já vimos muitos diretores usarem este artifício de maneira péssima ou caírem no ordinário, mas este não foi o caso. No momento em que ele começa a nos mostrar o passado, já temos uma opinião em formação sobre os personagens, e essas reviravoltas inesperadas é que fazem o filme ser tão bom.
     Além dos temas polêmicos apresentados, também há uma excelente mistura de gêneros, principalmente o “horror”, mesmo sem um único grito e com pouco sangue – utilizando muito bem os símbolos que já estão associados ao gênero na nossa mente, associados a pesadas cenas. As atuações são muito boas, apesar de não serem tão impactantes quanto o filme em si. 
A questão da bioética realmente é muito importante, e o filme não nos traz nenhuma resposta definitiva, apenas apresenta uma perspectiva. Obviamente que não defendo o sequestro e o cárcere privado, mas isso só nos mostra os extremos que a ciência e as pessoas alcançam. Em muitos momentos encontrei alguma semelhança com O Segredo dos seus Olhos ou Oldboy, mas na verdade é diferente de ambos. A grande revelação sobre o passado de Vera, e o fato de o médico Roberto estar se envolvendo com ela são realmente chocantes para diversos padrões.
   A mescla que se faz no filme entre ciência e vingança, o super-envolvimento emocional com o objeto do cientista é excelente. A contradição do ser humano, totalmente presente nos dois protagonistas também é excelente: a capacidade de amar e odiar em níveis extremos, e de como é complicado definir indivíduos por apenas determinadas ações.
    Se formos debater todas as polêmicas e ideias do filme, a discussão seria infinita. Enfim, este é um filme excelente que nos faz questionar inúmeros aspectos de nossa vida social, direitos, paradigmas éticos, científicos, entre outros. Um dos melhores filmes de Almodóvar com certeza, mas que talvez para vê-lo precisamos ao menos de uma autocrítica e uma mínima consciência de nossos preconceitos.
            Nota 92/100

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