domingo, 20 de abril de 2014

Elysium

Ficha Técnica: Elysium, 2013.
Gênero: Ficção Científica, Ação, Drama.
Direção: Neill Blomkamp.
Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Sharlto Copley, Alice Braga, Wagner Moura, Diego Luna, William Fichtner, Emma Tremblay, Josh Blacker, Faran Tahir.
País: Estados Unidos.
Tempo: 109 min.
Idioma: Inglês.

    O novo filme do diretor sul-africano Neill Blomkamp segue a mesma linha de sua estréia (Distrito 9), mas não com a mesma qualidade. Enquanto naquele ele nos traz uma metáfora do apartheid através da ficção-científica, aqui a simbologia é sobre a exclusão e a desigualdade sociais.
    No entanto, mais do que no primeiro, o roteiro se perde no decorrer da história, com as cenas de ação tomando conta de tudo, ofuscando o bom início da trama. Esse viés hollywoodiano do diretor é importante, pois tem a capacidade de inseri-lo para um público muito maior, dada a visibilidade que seus filmes recebem. Contudo, ele carrega a mão ainda mais neste segundo filme exatamente neste aspecto, que é o calcanhar de Aquiles de seus filmes.
     Ao mostrar um futuro apocalíptico da Terra, em que uma minoria rica abandonou o planeta e vive com todos os benefícios que podem ser oferecidos pelo desenvolvimento tecnológico da humanidade (ainda que sob um regime com características nazi-fascistas, outra crítica importante), uma vasta maioria foi deixada para trás, vivendo sob condições inaceitáveis – e o mais interessante no filme é que boa parcela da população já vive sob estas condições, tornando a metáfora real e evidente. Entretanto, este cunho social é perdido com a segunda parte do filme – quanto o protagonista tenta alcançar Elysium (o satélite em que os ricos se isolaram), a crítica social desaparece, restando apenas ótimas cenas de ação, mas muitas sem sentido algum.
     Os atores estão muito bem no filme, revelando-se escolhas acertadas. Matt Damon como personagem principal – Max – está melhor na primeira metade, mais carismático. Muito em razão da mudança de roteiro do que de sua habilidade. Wagner Moura realmente rouba a cena em todo momento que aparece, como o hacker-coyote Spider, carregando contradições que o tornam o personagem mais interessante do filme. Jodie Foster e Alice Braga estão bem, mas com menos destaque que os demais. Luna e Fichtner fazem ótimas pontas, enquanto que Sharlto Copley, o mercenário que trabalha na Terra para Delacourt (Foster) está positivamente irreconhecível. 
     Um filme que, da mesma forma que a sequência Jogos Vorazes, apesar de trazer um potencial excelente, não somente de crítica político-social, mas também de suspense, drama e outros aspectos importantes para o cinema, acaba por revelar-se apenas como um bom entretenimento. O que para muitos pode ser algo ruim, e para tantos outros o que realmente buscam no cinema.


Nota 75/100

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