quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Ficha Técnica: The Hobbit: An Unexpected Journey, 2012.
Gênero: Aventura, Fantasia.
Direção: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O'Gorman, Aidan Turner, John Callen, Peter Hambleton, Jed Brophy, Mark Hadlow, Adam Brown, Ian Holm, Elijah Wood, Hugo Weaving, Cate Blanchett, Christopher Lee, Andy Serkis, Sylvester McCoy, Jeffrey Thomas, Manu Bennett.
País: Estados Unidos, Nova Zelândia.
Tempo: 169 min. 
Idioma: Inglês. 

     Jackson retoma a trilogia que o consagrou em grande estilo. Uma nova superprodução, com qualidade ainda mais assombrosa. Como não li os livros de Tolkien, os comentários que faço são apenas sobre o que li em reportagens e artigos sobre o filme e as impressões que tirei deles – podendo apresentar um imenso engano de minha parte. 
Vamos primeiramente aos aspectos técnicos do filme, que dentro da minha mínima e amadora percepção, aparenta ser perfeito. As imagens são realmente poderosas e impactantes. A nova tecnologia dos 48 quadros por segundo certamente contribuiu para este impacto. As paisagens estão exuberantes. Ouso dizer que é visivelmente melhor e mais arrojado do que o último filme da trilogia do Senhor dos Anéis, talvez por Jackson estar agora mais confiante, ter mais liberdade e sofrer menos pressão do estúdio no aspecto da produção.
    A trilha sonora é muito interessante, as cenas das batalhas são magistralmente realizadas, ainda que ocorram em excesso; mas é sempre bom ver tais cenas inúmeras vezes e poder observar a perfeição com que foram feitas. O 3D também é muito bom, impulsionado pelos 48 quadros, fazendo nos sentir dentro das cenas em diversos momentos. 
     O roteiro foi adaptado do conto infantil de JRR Tolkien “O Hobbit”, que deu origem ao livro do Senhor dos Anéis e sua trilogia no cinema. Pelo fato de ser um conto infantil, e muito mais curto do que o livro posterior, o filme pode se dar ao luxo de apresentar praticamente cada detalhe do livro, algo que não ocorreu (e nem poderia) com a trilogia anterior. Isso, ao meu ver, enriquece o filme, além de poder manter um elevado nível de fidelidade. 
       Também pelo fato de ser infantil, é mais leve do que a obra seguinte – e o diretor traz essa leveza para a tela, reproduzindo inclusive as piadas e momentos de descontração. Sou grande crítico das piadas constantes nos filmes atuais (vide Os Vingadores), mas neste caso elas não tornam a história boba ou mesmo os personagens (talvez com a exceção do mago marrom, interpretado por Sylvester McCoy, um tanto estereotipado, mas sem prejudicar o filme). Além disso, Jackson ainda acrescente cenas tensas, desenvolve mais alguns aspectos do livro que nos ajudam a compreender a história, todos pontos positivos do longa. 
      O filme está centrado em Freeman e McKellen. Nosso jovem Bilbo Baggins (Martin Freeman) está muito bem, com o tom cômico certo e o equilíbrio necessário para os momentos de tensão e luta. Sobre Gandalf (McKellen) não há muito que dizer: continua brilhante. Apesar de não estarem presentes no livro, personagens da antiga trilogia são trazidos para pequenas pontas, fazendo ótimas conexões com a trilogia já existente, uma grande sacada do diretor. Dentre os anões, apenas Armitage realmente precisa fazer um trabalho mais profundo. Os outros, apesar de muito bem, pouco tiveram espaço. 
Aliás, este é outro aspecto importante e positivo do filme: a noção de que ele está realmente conectado com a história que se passa 60 anos depois. O filme é um tanto extenso, mas o excesso de ação nos prende muito bem para que não percamos o interesse. As cenas de ação é que tornam o filme um pouco mais extenso do que o necessário, mas nada que o prejudique, além de agradar aos fãs destes momentos.
Há uma certa dose de semelhança entre este o primeiro filme da trilogia – talvez algo intencional – se considerarmos os rumos e a maneira que a história se desenvolve, e criticar ou elogiar tal aspecto talvez seja mais uma questão de gosto do que qualidade. Acredito que vá agradar, de modo geral, tanto aos fãs da trilogia do cinema quanto àqueles que também leram os livros.

Nota 83/100
 

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