Ficha técnica: Syriana, 2005
Gênero: Drama, Suspense;
Direção: Stephen Gaghan.
Elenco: George Clooney, Matt Damon, Jeffrey Wright, Alexander Siddig, Amanda Peet, Christopher Plummer, Chris Cooper, Kavyan Novak, Amr Waked, Nicky Henson, Robert Foxworth, William Hurt, Akbar Kurtha, Tim Blake Nelson, Robert Foxworth, Mark Strong.
Elenco: George Clooney, Matt Damon, Jeffrey Wright, Alexander Siddig, Amanda Peet, Christopher Plummer, Chris Cooper, Kavyan Novak, Amr Waked, Nicky Henson, Robert Foxworth, William Hurt, Akbar Kurtha, Tim Blake Nelson, Robert Foxworth, Mark Strong.
País: Estados Unidos.
Tempo: 128 min.
Idioma: Inglês, Persa, Árabe, Urdu.
O longa tenta nos
apresentar o que há de mais sujo na indústria petroleira, e isso não é pouco.
Eu digo tenta, não por incompetência do filme, mas pelo fato de que esse meio é
tão absurdo e inescrupuloso, que talvez seja inclusive retratá-lo totalmente –
o que não tira o brilhantismo do filme.
Quem assina o roteiro
e dirige é Stephen Gaghan, o mesmo roteirista do excelente Traffic, e por isso, comparações são inevitáveis. Ambos possuem
diferentes histórias entrelaçadas, sobre temas polêmicos e abordados de maneira
crítica não-usual pelo cinema estadunidense, principalmente o hollywoodiano.
Apesar desse recurso de histórias entrelaçadas não ser mais original, tanto em Traffic quando em Syriana, eles se adéquam muito bem ao tema: assuntos de importância
global, sobre os quais 99% da população global não têm o menor controle, mas
que afetam de maneiras diversas as vidas de quase todos.
Em razão da crítica,
ousadia, complexidade, relevância, dentre outros aspectos do roteiro, ele é
excelente. No entanto, a direção de Gaghan ficou aquém do desejado, o que
talvez impossibilite em classificá-lo como evidentemente melhor do que Traffic, dirigido por Soderbergh (muitos
inclusive o classificam como inferior, muito em razão desta diferença na
direção). O filme busca ser didático em diversos momentos sobre o assunto, e ao
mesmo tempo, consegue ser confuso. Falas rápidas e eventos conectados sem que
possamos digerir tudo que acontece. São 70 personagens com falas, que ao invés
de esclarecer o que se passa, acabaram por confundir o espectador.
O elenco está muito
bem no filme. Clooney (que engordou 15kg e deixou a barba crescer), Damon,
Wright e Siddig carregam o filme de maneira excelente. Plummer, Cooper, Hurt,
Peet, Novak, dentre outros fazem ótimas pontas, muitos deles com frases fortes
e cruciais para a trama.
A história em si nos
mostra de maneira crua a força da indústria do petróleo e sua rede de
envolvimentos (CIA, Oriente Médio, Casa Branca, terrorismo), fazendo uma
crítica ferrenha à perversidade da situação. Como os interesses das diferentes
populações são deixados de lados, sob a máscara da democracia
liberal-estadunidense para atender aos interesses dessas grandes corporações.
Mostra a manipulação de investigações, sabotagens
de governos, golpes de estado e estímulos para o caos e o conflito no Oriente
Médio, em razão dos interesses ocidentais. O longa nos traz também alguma visão
sob o surgimento do terrorismo, além de uma mensagem que eu ousaria dizer de
cunho marxista, sobre a situação cíclica das elites e exploração dos
trabalhadores.
A falta de escrúpulos dos EUA e suas empresas
interessadas no petróleo são escancaradas. Além da crítica implícita sobre as
guerras travadas pelo império ianque, podemos também perceber que a presença
dos EUA no Oriente Médio em nada vai contribuir para a paz na região ou mesmo
para a garantia da segurança e dos interesses da população que ali reside. Um
excelente filme, que requer muita atenção do espectador, mas que não pode
deixar de ser visto.
Nota 93/100

Nenhum comentário:
Postar um comentário