terça-feira, 5 de junho de 2012

Syriana - A Indústria do Petróleo

Ficha técnica: Syriana, 2005
Gênero: Drama, Suspense;
Direção: Stephen Gaghan. 
Elenco: George Clooney, Matt Damon, Jeffrey Wright, Alexander Siddig, Amanda Peet, Christopher Plummer, Chris Cooper, Kavyan Novak, Amr Waked, Nicky Henson, Robert Foxworth, William Hurt, Akbar Kurtha, Tim Blake Nelson, Robert Foxworth, Mark Strong. 
País: Estados Unidos.
Tempo: 128 min.
Idioma: Inglês, Persa, Árabe, Urdu.

    O longa tenta nos apresentar o que há de mais sujo na indústria petroleira, e isso não é pouco. Eu digo tenta, não por incompetência do filme, mas pelo fato de que esse meio é tão absurdo e inescrupuloso, que talvez seja inclusive retratá-lo totalmente – o que não tira o brilhantismo do filme.
      Quem assina o roteiro e dirige é Stephen Gaghan, o mesmo roteirista do excelente Traffic, e por isso, comparações são inevitáveis. Ambos possuem diferentes histórias entrelaçadas, sobre temas polêmicos e abordados de maneira crítica não-usual pelo cinema estadunidense, principalmente o hollywoodiano. Apesar desse recurso de histórias entrelaçadas não ser mais original, tanto em Traffic quando em Syriana, eles se adéquam muito bem ao tema: assuntos de importância global, sobre os quais 99% da população global não têm o menor controle, mas que afetam de maneiras diversas as vidas de quase todos.
     Em razão da crítica, ousadia, complexidade, relevância, dentre outros aspectos do roteiro, ele é excelente. No entanto, a direção de Gaghan ficou aquém do desejado, o que talvez impossibilite em classificá-lo como evidentemente melhor do que Traffic, dirigido por Soderbergh (muitos inclusive o classificam como inferior, muito em razão desta diferença na direção). O filme busca ser didático em diversos momentos sobre o assunto, e ao mesmo tempo, consegue ser confuso. Falas rápidas e eventos conectados sem que possamos digerir tudo que acontece. São 70 personagens com falas, que ao invés de esclarecer o que se passa, acabaram por confundir o espectador. 
       O elenco está muito bem no filme. Clooney (que engordou 15kg e deixou a barba crescer), Damon, Wright e Siddig carregam o filme de maneira excelente. Plummer, Cooper, Hurt, Peet, Novak, dentre outros fazem ótimas pontas, muitos deles com frases fortes e cruciais para a trama.
A história em si nos mostra de maneira crua a força da indústria do petróleo e sua rede de envolvimentos (CIA, Oriente Médio, Casa Branca, terrorismo), fazendo uma crítica ferrenha à perversidade da situação. Como os interesses das diferentes populações são deixados de lados, sob a máscara da democracia liberal-estadunidense para atender aos interesses dessas grandes corporações.
Mostra a manipulação de investigações, sabotagens de governos, golpes de estado e estímulos para o caos e o conflito no Oriente Médio, em razão dos interesses ocidentais. O longa nos traz também alguma visão sob o surgimento do terrorismo, além de uma mensagem que eu ousaria dizer de cunho marxista, sobre a situação cíclica das elites e exploração dos trabalhadores.
A falta de escrúpulos dos EUA e suas empresas interessadas no petróleo são escancaradas. Além da crítica implícita sobre as guerras travadas pelo império ianque, podemos também perceber que a presença dos EUA no Oriente Médio em nada vai contribuir para a paz na região ou mesmo para a garantia da segurança e dos interesses da população que ali reside. Um excelente filme, que requer muita atenção do espectador, mas que não pode deixar de ser visto.
Nota 93/100

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