sexta-feira, 8 de junho de 2012

Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro

Gênero: Crime, Suspense, Drama;
Direção: José Padilha. 
Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Milhem Cortez, Maria Ribeiro, Seu Jorge, Sandro Rocha, Tainá Muller, André Mattos, Pedro Van-Held, Adriano Garib, Julio Adrião, Emílio Orciollo Neto, Rodrigo Candelot. 
País: Brasil.
Tempo: 115 min.
Idioma: Português.

    Um blockbuster do cinema nacional, o segundo Tropa de Elite continua polêmico, violento e contanto com ótima produção. As cenas de ação, apesar de aparecerem em menor quantidade, continuam contando com ótima direção e montagem. Ainda assim, o primeiro filme contou com uma produção mais hollywoodiana, com mais sequências de ação, mas também com argumentos mais frágeis.
     Os atores que retornaram do primeiro filme trabalham bem, mas agora dividem a tela por mais tempo com novos personagens. Acredito apenas que o personagem Diogo Fraga (Santos) merecia uma interpretação melhor – não saberia dizer se em razão de uma atuação aquém do esperado ou de uma excessiva caricaturização do personagem.
     O roteiro do filme nos traz alguns novos bordões que agradam ao público, mas os questionamentos e problemas apresentados são mais sérios e profundos do que o primeiro. Ao invés de simplesmente culpar o consumidor final pelo tráfico e violência, da maneira rasa com foi feita anteriormente, aqui Padilha ataca diretamente o nosso sistema político-eleitoral, resvalando ainda em outros grandes interesses.
     Outra mudança com relação ao primeiro é perspectiva de Nascimento (Moura). Talvez em razão das acusações de uma posição reacionária no primeiro filme, o diretor busca equilibrar um pouco as posições entre aquela classe média da “direita” que pensa “bandido bom é bandido morto”, e a “esquerda” dos direitos humanos. Eu apresento essa ultrapassada dicotomia “direita e esquerda” em razão do filme trazer esses assuntos ainda estereotipados – a diferença é que nesse há um equilíbrio maior entre os estereótipos. Mas infelizmente, a divisão maniqueísta entre bem e mal ainda está presente no filme.
     Apesar da maneira mais complexa que o tráfico e a corrupção policial são tratados, essa discussão ainda é superficial. O ponto positivo é a caracterização da mídia apresentada pelo filme – acentuada por uma ótima atuação de André Mattos. A mídia (pequena e grande) também tem seus interesses, e será inescrupulosa ao buscá-los. Já a questão das milícias, ao meu ver uma comparação com as UPP’s implantadas pelo governo do Rio de Janeiro, a visão é muito fechada e única. Os efeitos para a população não são tão claros e essas ocupações da polícia são criticadas por um único motivo, aparentando ser o único problema: a corrupção e os votos.
    Assim, a lógica seria um próximo questionamento que não é trazido pelo filme: nossa sistema político – a democracia e as leis eleitorais. Mas o fato do filme ser lançado próximo das eleições, ser apresentado pela Globo Filmes, e do governador do RJ (Sérgio Cabral) apoiar a candidatura de Dilma Rousseff já nos levam a outros questionamentos.
    Enfim, um bom filme, que apesar de não trazer profundas análises (me pergunto se teria inclusive condições), deixa um pouco mais clara a questão do tráfico de drogas, traz uma crítica interna sobre a violência das polícias militares, e apresenta um problema de dimensão muito maior – com uma visão talvez de que ele esteja muito além de nossas possibilidades de resolvê-lo.
Nota 84/100

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