Ficha técnica: Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro, 2010
Gênero: Crime, Suspense, Drama;
Direção: José Padilha.
Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Milhem Cortez, Maria Ribeiro, Seu Jorge, Sandro Rocha, Tainá Muller, André Mattos, Pedro Van-Held, Adriano Garib, Julio Adrião, Emílio Orciollo Neto, Rodrigo Candelot.
Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Milhem Cortez, Maria Ribeiro, Seu Jorge, Sandro Rocha, Tainá Muller, André Mattos, Pedro Van-Held, Adriano Garib, Julio Adrião, Emílio Orciollo Neto, Rodrigo Candelot.
País: Brasil.
Tempo: 115 min.
Idioma: Português.
Um blockbuster do
cinema nacional, o segundo Tropa de Elite
continua polêmico, violento e contanto com ótima produção. As cenas de
ação, apesar de aparecerem em menor quantidade, continuam contando com ótima
direção e montagem. Ainda assim, o primeiro filme contou com uma produção mais hollywoodiana, com mais sequências de
ação, mas também com argumentos mais frágeis.
Os atores que
retornaram do primeiro filme trabalham bem, mas agora dividem a tela por mais
tempo com novos personagens. Acredito apenas que o personagem Diogo Fraga
(Santos) merecia uma interpretação melhor – não saberia dizer se em razão de
uma atuação aquém do esperado ou de uma excessiva caricaturização do
personagem.
O roteiro do filme
nos traz alguns novos bordões que agradam ao público, mas os questionamentos e
problemas apresentados são mais sérios e profundos do que o primeiro. Ao invés
de simplesmente culpar o consumidor final pelo tráfico e violência, da maneira
rasa com foi feita anteriormente, aqui Padilha ataca diretamente o nosso
sistema político-eleitoral, resvalando ainda em outros grandes interesses.
Outra mudança com
relação ao primeiro é perspectiva de Nascimento (Moura). Talvez em razão das
acusações de uma posição reacionária no primeiro filme, o diretor busca
equilibrar um pouco as posições entre aquela classe média da “direita” que
pensa “bandido bom é bandido morto”, e a “esquerda” dos direitos humanos. Eu
apresento essa ultrapassada dicotomia “direita e esquerda” em razão do filme
trazer esses assuntos ainda estereotipados – a diferença é que nesse há um equilíbrio
maior entre os estereótipos. Mas infelizmente, a divisão maniqueísta entre bem
e mal ainda está presente no filme.
Apesar da maneira
mais complexa que o tráfico e a corrupção policial são tratados, essa discussão
ainda é superficial. O ponto positivo é a caracterização da mídia apresentada
pelo filme – acentuada por uma ótima atuação de André Mattos. A mídia (pequena
e grande) também tem seus interesses, e será inescrupulosa ao buscá-los. Já a
questão das milícias, ao meu ver uma comparação com as UPP’s implantadas pelo
governo do Rio de Janeiro, a visão é muito fechada e única. Os efeitos para a
população não são tão claros e essas ocupações da polícia são criticadas por um
único motivo, aparentando ser o único problema: a corrupção e os votos.
Assim, a lógica seria
um próximo questionamento que não é trazido pelo filme: nossa sistema político
– a democracia e as leis eleitorais. Mas o fato do filme ser lançado próximo
das eleições, ser apresentado pela Globo Filmes, e do governador do RJ (Sérgio
Cabral) apoiar a candidatura de Dilma Rousseff já nos levam a outros
questionamentos.
Enfim, um bom filme,
que apesar de não trazer profundas análises (me pergunto se teria inclusive
condições), deixa um pouco mais clara a questão do tráfico de drogas, traz uma
crítica interna sobre a violência das polícias militares, e apresenta um
problema de dimensão muito maior – com uma visão talvez de que ele esteja muito
além de nossas possibilidades de resolvê-lo.
Nota 84/100


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