Direção: Ari Folman.
Elenco: Ari Folman, Ori Sivan, Ronny Dayag, Shmuel Frenkel.
Elenco: Ari Folman, Ori Sivan, Ronny Dayag, Shmuel Frenkel.
País: Israel, Alemanha, Austrália, França, Finlândia, EUA, Suíça, Bélgica.
Tempo: 90 min.
Idioma: Hebreu.
Esteticamente, esse filme pode nos trazer inúmeras sensações. Uma animação, num formato de documentário/drama, sobre um tema tão pesado como uma guerra e seus efeitos nos soldados não é uma combinação comum. Ao meu ver, o recurso da animação serviu para atenuar alguns aspectos e salientar outros, não tornando o filme necessariamente mais leve (a cena inicial com os cães torna essa contradição muito clara).
Idioma: Hebreu.
Esteticamente, esse filme pode nos trazer inúmeras sensações. Uma animação, num formato de documentário/drama, sobre um tema tão pesado como uma guerra e seus efeitos nos soldados não é uma combinação comum. Ao meu ver, o recurso da animação serviu para atenuar alguns aspectos e salientar outros, não tornando o filme necessariamente mais leve (a cena inicial com os cães torna essa contradição muito clara).
A história tem um
excelente conteúdo, e os efeitos causados pela guerra nos soldados são muito
bem abordados, com algumas similaridades aos clássicos do tema, como Apocalypse Now e Nascido para matar, ainda que não possa ser comparado com estes em
termos de qualidade.
O fato de um filme
que critique a postura bélica tomada contra os palestinos, ainda mais vindo de
Israel, é louvável. No final do filme, ao passar a mostrar cenas reais da
guerra de 1982, as imagens são fortes e chocantes, e deixam clara a postura do
filme e sua crítica ao episódio. Outro momento forte é a comparação entre o que
ocorreu durante esta guerra com os campos de concentração e extermínio da
Segunda Guerra Mundial – uma contradição sórdida e sem fim para judeus e
israelenses.
No entanto, o grande
“vilão” do episódio são as milícias falangistas, responsabilizados pelo
massacre de palestinos que ocorreu no Líbano durante a invasão – os israelenses
teriam apenas assistido. Tendo em vista o histórico do confronto Israel x
Árabes, principalmente com os palestinos, essa tentativa de inocentar o povo
israelense não me convenceu.
Não há um profundo
questionamento sobre os palestinos deslocados e refugiados, que tiveram suas
terras roubadas pelos israelenses; a maneira como são mostrados os “erros de
cálculo” (ao meu ver uma negligência conveniente) durante a guerra, que
destroem construções civis e matam inocentes, não deixa clara a barbaridade do
ato – perceptível apenas para os espectadores mais atentos. A II Guerra Mundial
é mencionada, mas o fato de ela ter sido o pretexto para se criar o estado de
Israel, um país militarizado que sempre combateu seus inimigos com força
desproporcional e total desrespeito à vida e aos direitos fundamentais do
homem.
O filme inclusive nos mostra, talvez inocentemente,
como o fato de a guerra ser tão constante no cotidiano deles, que a população
já se acostumou aos conflitos – a vida segue normalmente, ainda que estejam em
constante guerra com os vizinhos. Enfim, um bom filme, que critica alguns
pontos, mas muito longe de ser algo contestador.
Nota 80/100

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