quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Valsa com Bashir

Ficha Técnica: Vals Im Bashir, 2008
Gênero: Animação, Drama, Biografia;
Direção: Ari Folman. 
Elenco: Ari Folman, Ori Sivan, Ronny Dayag, Shmuel Frenkel. 
País: Israel, Alemanha, Austrália, França, Finlândia, EUA, Suíça, Bélgica.
Tempo: 90 min.
Idioma: Hebreu.

     Esteticamente, esse filme pode nos trazer inúmeras sensações. Uma animação, num formato de documentário/drama, sobre um tema tão pesado como uma guerra e seus efeitos nos soldados não é uma combinação comum. Ao meu ver, o recurso da animação serviu para atenuar alguns aspectos e salientar outros, não tornando o filme necessariamente mais leve (a cena inicial com os cães torna essa contradição muito clara).
   A história tem um excelente conteúdo, e os efeitos causados pela guerra nos soldados são muito bem abordados, com algumas similaridades aos clássicos do tema, como Apocalypse Now e Nascido para matar, ainda que não possa ser comparado com estes em termos de qualidade.
    O fato de um filme que critique a postura bélica tomada contra os palestinos, ainda mais vindo de Israel, é louvável. No final do filme, ao passar a mostrar cenas reais da guerra de 1982, as imagens são fortes e chocantes, e deixam clara a postura do filme e sua crítica ao episódio. Outro momento forte é a comparação entre o que ocorreu durante esta guerra com os campos de concentração e extermínio da Segunda Guerra Mundial – uma contradição sórdida e sem fim para judeus e israelenses.
    No entanto, o grande “vilão” do episódio são as milícias falangistas, responsabilizados pelo massacre de palestinos que ocorreu no Líbano durante a invasão – os israelenses teriam apenas assistido. Tendo em vista o histórico do confronto Israel x Árabes, principalmente com os palestinos, essa tentativa de inocentar o povo israelense não me convenceu.
     Não há um profundo questionamento sobre os palestinos deslocados e refugiados, que tiveram suas terras roubadas pelos israelenses; a maneira como são mostrados os “erros de cálculo” (ao meu ver uma negligência conveniente) durante a guerra, que destroem construções civis e matam inocentes, não deixa clara a barbaridade do ato – perceptível apenas para os espectadores mais atentos. A II Guerra Mundial é mencionada, mas o fato de ela ter sido o pretexto para se criar o estado de Israel, um país militarizado que sempre combateu seus inimigos com força desproporcional e total desrespeito à vida e aos direitos fundamentais do homem.
O filme inclusive nos mostra, talvez inocentemente, como o fato de a guerra ser tão constante no cotidiano deles, que a população já se acostumou aos conflitos – a vida segue normalmente, ainda que estejam em constante guerra com os vizinhos. Enfim, um bom filme, que critica alguns pontos, mas muito longe de ser algo contestador.

Nota 80/100

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