Gênero: Drama, Ficção-Científica.
Direção: Lars von Trier.
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgård, Kiefer Sutherland, Stellan Skarsgård, John Hurt, Charlotte Rampling, Cameron Spurr, Jesper Christensen.
País: Dinamarca, França, Suécia, Alemanha.
Tempo: 136 min.
Idioma: Inglês.
O polêmico diretor dinamarquês vem com este novo filme nos dar uma diferente perspectiva do cinema sobre o fim do mundo. E talvez tenha feito o melhor filme sobre este tema – com certeza o melhor que eu tenha visto, indo muito além do que qualquer filme de Hollywood no caso.
O filme se divide em
três partes – o prólogo, com cenas em câmera lenta, sob a trilha sonora de
Tristão & Isolda, já nos dão uma pista sobre o fim do mundo imaginado pela
personagem de Dunst. As cenas são muito belas, e não tão cansativas quanto o
início de A Árvore da Vida, apesar de
terem o mesmo estilo (que nos lembra 2001).
As duas próximas
partes (maior parte do filme) são divididas entre Justine (Kirsten Dunst) e
Claire (Charlotte Grainsbourg), duas irmãs. A primeira parte (Justine) é festa
de casamento de Justine, organizada por Claire. A segunda (Claire) se concentra
após a festa, na casa de Claire, enquanto aguardam a passagem/colisão de
Melancolia, o planeta que se escondia atrás do sol e agora vem em direção a Terra.
No primeiro ato, o
diretor nos brinda com sua crítica às tradições sociais (burguesas) atuais –
festa de casamento, instituição falida da família, importância do trabalho. Ele
nos mostra o pior lado de tudo isso, com o foco em Dunst e sua depressão, que
ela tenta vencer durante o casamento, mas falha miseravelmente. A irmã Claire é
a personagem forte neste momento, que organiza a festa e tenta manter todas as
aparências, segurando todas as bombas relógios da família – a indiferença e
frieza da mãe (Rampling), o pai (Hurt) sem compostura, noiva depressiva, noivo (A.
Skarsgård) insatisfeito e nervoso, chefe inescrupuloso (S. Skarsgård) dentre
outros problemas. Mas ao mesmo tempo, a justificativa para todas as ações de
Justine gritam aos nossos ouvidos – a família desestruturada. E assim, a
crítica à família como instituição acaba perdendo muito de sua força e caindo
no lugar-comum.
O segundo ato,
Justine está novamente depressiva, algumas semanas após o casamento fracassado,
e vem para que sua irmão cuide dela. Nesta parte, Lars von Trier faz severa
crítica (até mesmo zomba) da ciência e dos cientistas, com suas certezas e
arrogâncias. A “certeza” em que tudo acabará bem, o excesso de confiança e
falsa tentativa de passar segurança de John (Sutherland) é evidente, e sua
morte covarde é o ápice desta crítica. Há também uma inversão de personalidade
nas irmãs – com o fim do mundo se aproximando, Claire vai perdendo o controle,
enquanto Justine recupera a serenidade – afinal, esta última não tinha mais
“nada” a perder, enquanto Claire tinha a tradicional vida feliz – filho, marido
e bens.
Os atores estão muito
bem – apesar de muito se falar de ser o melhor papel de Dunst, ainda prefiro As Virgens Suicidas – mas ela está
realmente muito bem no filme, com ótimas mudanças de humor e comportamento.
Grainsbourg também está ótima. As duas atuações se completam na realidade,
deixando o filme ainda melhor. Os coadjuvantes também estão bem, inclusive a
surpresa de Sutherland, fugindo das ações. John Hurt merece um destaque
especial, afinal, em pouquíssimas falas, acaba sempre roubando a cena.
A fotografia e os efeitos
do filme estão ótimos. A imagem azulada em razão da aproximação de melancolia
foi uma ótima sacada. O diretor abusou menos da violência e nudez, se compararmos
ao seu filme anterior, O Anticristo.
No entanto, a dose foi certa, e apesar da intensidade maior do outro filme,
ainda que algumas cenas dele tenham sido muito apelativas (felizmente Melancolia não faz isso), este último
talvez tenha buscado uma profundidade psicológica maior. Mas buscar não
significa necessariamente alcançar, e o longa realmente não nos traz tanta
inovação ou questionamento, apesar de ser um bom filme.
Nota 77/100




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