segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Shame

Ficha Técnica: Shame, 2011
Gênero: Drama.
Direção: Steve McQueen.
Elenco: Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale, Nicole Beharie.
País: Reino Unido.
Tempo: 101 min.
Idioma: Inglês.

      O filme nos traz um protagonista que apesar de seu sucesso profissional e com as mulheres, sofre de um distúrbio mental que ele tenta manter sob controle: vício em sexo – ainda que a história nos dê indícios de outros vícios de Brandon (Fassbender). 
     Ao tratar deste tema polêmico, o diretor não nos poupa de qualquer cena de nudez ou sexo – um excelente artifício para nos transmitir talvez o que esteja passando na cabeça do protagonista o tempo todo. No entanto, as cenas de sexo que o envolvem não demonstram prazer, e sim sua frustração e sofrimento.
      Brandon mantém seu vício sob controle, sem que lhe cause constrangimentos ou transtornos maiores. No entanto, a chegada de sua invasiva e carente irmã, Sissy (Mulligan), para ficar “por uns tempos” em seu apartamento acaba com sua tranquilidade. O filme opta por não explorar o passado deles, mas deixa evidente que tiveram uma infância/adolescência difícil, e ambos carregam as consequências deste passado até hoje, afetando totalmente o relacionamento entre eles e com os outros. Inclusive, podemos interpretar em determinado momento a sugestão de uma relação incestuosa, mas que o diretor não deixa claro.
    Esta opção de não trabalhar o passado dos personagens para desenvolver/justificar o lado psicológico deles é válida: podemos considerar que estamos conhecendo-os naquele momento, que de fato é o que está acontecendo. O expectador não tem quer ser onisciente sobre tudo filme. 
     Outro ponto que o filme traz, mas infelizmente desenvolve muito pouco, é a suposta obrigação social que as pessoas têm de cuidar dos demais membros de sua família (sem incluir aqui, obviamente, os filhos). Essa discussão foi um tanto breve no filme, ainda que interessante. Enquanto a irmã afirma que gosta do irmão e que eles são a única família e devem se ajudar, ela mesma não respeita o mínimo espaço de Brandon, ou demonstra uma real preocupação com ele; nem mesmo para as regras de sua casa ela se atenta, ainda que demonstre carinho. Por outro lado, Brandon a trata com frieza, e sua presença na casa vai irritando ele continuamente, muito em razão do seu vício não poder mais ser livremente demonstrado dentro de seu lar.
    A dificuldade de um relacionamento mais profundo com as pessoas vai se tornando patente no protagonista ao longo do filme – atingindo seu ápice quando sai com uma colega de trabalho, o único momento não superficial dele, que acaba de maneira frustrante, com Brandon tendo que chamar novamente uma prostituta, pois aparentemente a intimidade não o excita.
      Entretanto, apesar do bom argumento do filme, talvez o excesso de cenas longas (New York, New York; correndo; metrô) e de cenas de sexo, o filme parece não se desenvolver conforme o esperado. As questões trazidas pelo longa poderiam ser mais aprofundadas, ou mesmo novas questões que as relacionasse. No entanto, o filme apenas mostra dois irmãos com distúrbios e como eles se mantêm no seu relacionamento social. As atuações de Fassbender e Mulligan são excelentes, dando uma intensidade melhor ao filme, que apesar de mais de 100 minutos, nos traz uma história curta.

Nota 74/100

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