Gênero: Drama.
Direção: Steve McQueen.
Elenco: Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale, Nicole Beharie.
País: Reino Unido.
Tempo: 101 min.
Idioma: Inglês.
O filme nos traz um protagonista que apesar de seu sucesso
profissional e com as mulheres, sofre de um distúrbio mental que ele tenta
manter sob controle: vício em sexo – ainda que a história nos dê indícios de outros
vícios de Brandon (Fassbender).
Ao tratar deste tema
polêmico, o diretor não nos poupa de qualquer cena de nudez ou sexo – um excelente
artifício para nos transmitir talvez o que esteja passando na cabeça do
protagonista o tempo todo. No entanto, as cenas de sexo que o envolvem não demonstram
prazer, e sim sua frustração e sofrimento.
Brandon mantém seu
vício sob controle, sem que lhe cause constrangimentos ou transtornos maiores. No
entanto, a chegada de sua invasiva e carente irmã, Sissy (Mulligan), para ficar
“por uns tempos” em seu apartamento acaba com sua tranquilidade. O filme opta
por não explorar o passado deles, mas deixa evidente que tiveram uma infância/adolescência
difícil, e ambos carregam as consequências deste passado até hoje, afetando
totalmente o relacionamento entre eles e com os outros. Inclusive, podemos
interpretar em determinado momento a sugestão de uma relação incestuosa, mas
que o diretor não deixa claro.
Esta opção de não trabalhar
o passado dos personagens para desenvolver/justificar o lado psicológico deles
é válida: podemos considerar que estamos conhecendo-os naquele momento, que de
fato é o que está acontecendo. O expectador não tem quer ser onisciente sobre
tudo filme.
Outro ponto que o
filme traz, mas infelizmente desenvolve muito pouco, é a suposta obrigação social
que as pessoas têm de cuidar dos demais membros de sua família (sem incluir
aqui, obviamente, os filhos). Essa discussão foi um tanto breve no filme, ainda
que interessante. Enquanto a irmã afirma que gosta do irmão e que eles são a única
família e devem se ajudar, ela mesma não respeita o mínimo espaço de Brandon,
ou demonstra uma real preocupação com ele; nem mesmo para as regras de sua casa
ela se atenta, ainda que demonstre carinho. Por outro lado, Brandon a trata com
frieza, e sua presença na casa vai irritando ele continuamente, muito em razão do
seu vício não poder mais ser livremente demonstrado dentro de seu lar.
A dificuldade de um
relacionamento mais profundo com as pessoas vai se tornando patente no
protagonista ao longo do filme – atingindo seu ápice quando sai com uma colega
de trabalho, o único momento não superficial dele, que acaba de maneira
frustrante, com Brandon tendo que chamar novamente uma prostituta, pois
aparentemente a intimidade não o excita.
Entretanto, apesar do
bom argumento do filme, talvez o excesso de cenas longas (New York, New York;
correndo; metrô) e de cenas de sexo, o filme parece não se desenvolver conforme
o esperado. As questões trazidas pelo longa poderiam ser mais aprofundadas, ou
mesmo novas questões que as relacionasse. No entanto, o filme apenas mostra
dois irmãos com distúrbios e como eles se mantêm no seu relacionamento social. As
atuações de Fassbender e Mulligan são excelentes, dando uma intensidade melhor
ao filme, que apesar de mais de 100 minutos, nos traz uma história curta.
Nota 74/100

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