sábado, 10 de novembro de 2012

Gonzaga - de Pai pra Filho

Ficha Técnica: Gonzaga - de Pai pra filho, 2012
Gênero: Drama, Biografia, Musical.
Direção: Breno Silveira.
Elenco: Adelio Lima, Chambinho do Acordeon, Land Vieira, Julio Andrade, Giancarlo di Tomazzio, Alison Santos, Nanda Costa, Ana Roberta Gualda, Claudio Jaborandy, Cyria Coentro, Silvia Buarque, Luciano Quirino, Olivia Araujo, Zezé Motta, Domingos Montagner, Cecília Dassi.
País: Brasil. 
Tempo: 130 min.
Idioma: Português.

   Um projeto ousado do diretor Breno Silveira, ao contar a conturbada história de pai e filho, dois monstros da música popular brasileira. Ao menos, com uma vantagem ele começa – a trilha sonora do filme é excelente, pois é composta pelas belíssimas canções de Luiz Gonzaga e seu filho, Gonzaguinha. 
     O filme tem dois focos principais: a carreira do Rei do Baião, desde sua adolescência na cidade de Exú, até o sucesso imenso em todo o Brasil e posteriormente, o retorno aos tempos difíceis; e a relação dele com seu filho e também músico, Gonzaguinha. Conforme a história vai sendo contada, perpassam os momentos históricos do Brasil de maneira muito sutil, mas na medida certa – coronelismo, esquecimento do nordeste, Revolução de 30, Ditadura Militar, dentre outros aspectos. Temas espinhosos como o preconceito (classe, cor), pobreza e machismo são tratados, ainda que de maneira não evidente, mas inteligentemente.
    Para os críticos do politicamente correto dos dias de hoje, podemos observar o quanto as piadas e brincadeiras “inocentes” podem prejudicar e fazer mal a uma pessoa – as humilhações sofridas por Luiz Gonzaga deixam isto muito claro. Sua carreira brilhante como representante do nordeste é ressaltada, com a figura do cantor do povo, sendo um dos pontos altos do filme, que emociona de diferentes maneiras.
    A relação com seu filho também mostra um outro lado do cantor. O suposto abandono do pai (afetivo mais do que qualquer outro) que o menino sofreu após a perda da mãe, a dor de ambos e as diferentes maneiras de expressar isso, até a conversa final onde se magoaram e se reconciliaram, auge do filme e de grande atuação.
     Os atores estão muito bem – foi acertada a escolha de três atores para cada um dos protagonistas, em três diferentes fases da vida. Todos trabalharam bem, mas para mim, o maior destaque é Julio Andrade, que era o próprio Gonzaguinha, e não um ator. Chambinho também fez um excelente papel, e Adelio protagonizou com Andrade as cenas mais emocionantes do filme. Os coadjuvantes estão muito bem, com um destaque especial para os pais de Gonzagão e o casal de amigos que o acolheu quando chegou ao Rio de Janeiro.
     Um filme que faz jus à carreira dos compositores e que ousa em mostrar a relação conflituosa e pesada entre pai e filho. Nos faz refletir sobre o preço do sucesso e fama, muito diferentes naquela época, e as consequências que a infância de um indivíduo tem por toda sua vida. Sabe combinar muito bem as músicas e os momentos em que foram compostas, com uma bela fotografia, tanto do RJ como do Sertão, além de boa direção.

Nota 85/100     

Nenhum comentário:

Postar um comentário