Ficha Técnica: The Curious Case of Benjamin Button, 2008. Gênero: Drama, Fantasia.
Direção: David Fincher
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson, Tilda Swinton, Julia Ormond, Jason Flemyng, Jared Harris, Elle Fanning, Mahershala Ali, Danny Vinson.
País: Estados Unidos.
Tempo: 166 min.
Idioma: Inglês.
David Fincher é um dos melhores diretores de Hollywood e adora inovar
– e inovações podem ser um tremendo sucesso ou fracasso. Este não está entre o
melhores filmes do diretor, mas é melhor, por exemplo, do que Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres.
O filme trata de um
tema comumente abordado pelo cinema – sentimentos humanos ao longo da vida,
envelhecimento, morte. Um clássico drama, mas que é contado de uma forma
inteiramente nova. A história de um bebê que nasce num corpo já velho, mas que
ao invés de continuar a envelhecer a cada dia, como qualquer ser humano, ele
rejuvenesce. No entanto, apesar da estranheza, ele também se aproxima da morte
a cada dia, como todo ser humano.
O filme traz atuações
ótimas de Pitt e Blanchett, que demonstram excelente química entre eles, e
conseguem dar o tom certo aos personagens ao longo de praticamente uma vida
inteira, desde muito jovens até a velhice. Todo o elenco de coadjuvantes também
está ótimo, Swinton, Flemyn e Harris acrescentam muito à trama, e o grande
destaque vai para Henson.
A maquiagem do filme
também o coloca em outro patamar, deixando-os velhos, mas sem que percam as
características físicas de cada um. Fotografia e efeitos especiais também
merecem elogios. O roteiro é muito bom, a forma de narrativa está excelente,
ainda que haja muita semelhança com Forrest
Gump, tendo em vista que é o mesmo roteirista (Eric Roth). Esta semelhança
não é um defeito, mas perde um pouco o caráter de originalidade.
O que torna o filme
além do ordinário é a maneira que os conflitos pessoais enfrentados pelos seres
humanos ao longo da vida nos é mostrada. A questão de como se encarar a morte
de pessoas queridas, religião, sentimentos maternos e paternos, envelhecimento,
beleza, amor, companheirismo, preconceitos – todos estes elementos estão presentes
de forma suave e inusitada, deixando o filme muito forte.
Contudo, o
protagonista principal é o tempo. A pequena história contada no início do filme
é excelente, uma bela metáfora para o que está por vir. E como podemos encarar
a passagem do tempo de formas diferentes, com valores diferentes. A cena do acidente de Daisy é ótima, mostrando como a sucessão de simples acontecimentos corriqueiros no espaço-tempo acabam por resultar em algo tão impactante em nossas vidas. O longa também
tem a virtude de não tentar explicar a situação de Benjamin de forma alguma, o
que se tornaria um absurdo. E que realmente, envelhecer nem sempre pode nos
tornar melhores pessoas – continuamos a cometer erros e, acima de tudo, a nunca
ter certeza de ter feito a escolha correta em diversas situações.
Nota
88/100

























