quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A Hora Mais Escura

Ficha Técnica: Zero Dark Thirty, 2012.
Gênero: Drama, Suspense, História.
Direção: Kathryn Bigelow
Elenco: Jessica Chastain, Jason Clark, Kyle Chandler, Jennifer Ehle, Reda Kateb, Harold Perrineau, Jeremy Strong, J.J. Kandel, Scott Adkins, David Menkin, Fares Fares, Frederic Lehne, Mark Strong, Daniel Lapaine, Mark Duplass, James Gandolfini, Stephen Dillane, Joel Edgerton, Jeff Mash, John Barrowman, Frank Grillo.
País: Estados Unidos.
Tempo: 157 min. 
Idioma: Inglês.

     O mais novo filme de Kathryn Bigelow está novamente muito badalado. Talvez mais polêmico que o anterior, que lhe valeu o Oscar de melhor diretora (primeira mulher a vencer na categoria) e de melhor filme, o péssimo Guerra ao Terror. Ainda não consegui entender aquele Oscar – tudo bem, não queriam premiar Avatar, tínhamos Bastardos Inglórios, Up – Altas Aventuras, ou mesmo Amor sem Escalas ou Educação. E tampouco consigo compreender o motivo para tanta euforia em torno deste novo longa.
      A história da “maior caçada humana na história”, a busca por Osama Bin Laden, é retratada desde os ataques terroristas ao World Trade Center, até sua captura e morte – que aliás não era parte da história, sendo responsável por uma grande mudança no roteiro de Boal, que iria retratar apenas os esforços e recursos despendidos em vão nesta busca.
       Jessica Chastain está muito bem no filme, ainda que já tenhamos visto atuações melhores (Histórias Cruzadas) dela. Mas carrega muito bem o filme, sendo a única personagem que leva a história do começo ao fim com destaque. O restante do elenco de apoio faz um bom trabalho. A personagem de Chastain – Maya – também recebe ainda mais destaque por se destacar num meio predominantemente masculino (para não dizer inteiramente), assim como a diretora do filme. No entanto, não considero que comandar torturas seja uma conquista da qual as mulheres possam se orgulhar. Maya traz um toque pessoal ao filme, de que foi apenas graças ao seu sacrifício pessoal e esforço que levou a captura do homem mais procurado do mundo. 
       A tortura é mostrada de forma clara e chocante no filme. Não sei até que ponto podemos considerar as cenas verídicas, mas é correto presumir que a CIA realmente utilizou-se de torturas em suas investigações. Uma organização que coordenou locais como a prisão de Abu Ghraib, e coordena ou coordenou golpes e governos ditatoriais e assassinos em diversas localidades do mundo (nós latino americanos infelizmente sabemos muito bem) ainda deve utilizar-se de métodos absurdos como a tortura para obter informação. A grande dúvida que fica no filme é que se, sem a tortura, os EUA teriam encontrado Bin Laden. E é isso que vai levar pessoas a afirmarem que Bigelow é pró-tortura, ainda que tal afirmação não esteja clara. Espero que ela tenha esta intenção – pois podemos observar muito bem a barbaridade que é torturar um ser humano. Observando também a quantidade de erros que a CIA comete, a tortura ainda torna-se mais absurda – não que torturar culpados seja justificável de qualquer forma.
            Outro pecado gigantesco do filme, mas ao meu uma constante da dulpa Bigelow-Boal, é a crítica rasa. Assim como em Guerra ao Terror, em momento algum há uma mínima visão dos paquistaneses, afegãos, sauditas, muçulmanos. O motivo pelo aparente ódio que eles têm dos americanos (ainda que para os mais atentos, a tortura, invasões militares e bombardeios possam ser algum indicativo), ou mesmo a brutalidade de suas forças armadas no Iraque e Afeganistão, não é abordado. Além do excesso de atentados mostrados durante o filme, buscando sempre justificar a caçada a Bin Laden, como se ele fosse o único responsável por todo o mal (a tentativa do atentado em Times Square foi além da conta).
            O filme é longo e cansativo em determinados momentos. Seu tom documental, característico de Bigelow, é interessante. No aspecto da tortura, fica a dúvida, ainda que uma dúvida em tal quesito não deveria existir. Mas um pouco de reflexão sobre a crueldade de tais técnicas já deveriam ser o suficiente para nos causar repugnância. Maya no início se mostra desconfortável com a situação; mas o espectador não deve seguir o mesmo caminho da protagonista, pois esta mostrou-se habituada ao procedimento no decorrer do filme, inclusive culpando o interrogado pelo sofrimento dele e comandando torturas. O sofrimento pelo qual passam os estadunidenses que estão envolvidos nestas operações também acaba por se equiparar pelo sofrimento causado nas populações atacadas por eles, o que beira o absurdo.



Nota 72/100

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