Gênero: Drama, Suspense, História.
Direção: Kathryn Bigelow
Elenco: Jessica Chastain, Jason Clark, Kyle Chandler, Jennifer Ehle, Reda Kateb, Harold Perrineau, Jeremy Strong, J.J. Kandel, Scott Adkins, David Menkin, Fares Fares, Frederic Lehne, Mark Strong, Daniel Lapaine, Mark Duplass, James Gandolfini, Stephen Dillane, Joel Edgerton, Jeff Mash, John Barrowman, Frank Grillo.
País: Estados Unidos.
Tempo: 157 min.
Idioma: Inglês.
O mais novo filme de Kathryn Bigelow está novamente muito badalado.
Talvez mais polêmico que o anterior, que lhe valeu o Oscar de melhor diretora
(primeira mulher a vencer na categoria) e de melhor filme, o péssimo Guerra ao Terror. Ainda não consegui
entender aquele Oscar – tudo bem, não queriam premiar Avatar, tínhamos Bastardos Inglórios, Up – Altas Aventuras, ou mesmo Amor sem Escalas ou Educação.
E tampouco consigo compreender o motivo para tanta euforia em torno deste novo
longa.
A história da “maior
caçada humana na história”, a busca por Osama Bin Laden, é retratada desde os
ataques terroristas ao World Trade Center, até sua captura e morte – que aliás
não era parte da história, sendo responsável por uma grande mudança no roteiro
de Boal, que iria retratar apenas os esforços e recursos despendidos em vão
nesta busca.
Jessica Chastain está
muito bem no filme, ainda que já tenhamos visto atuações melhores (Histórias Cruzadas) dela. Mas carrega
muito bem o filme, sendo a única personagem que leva a história do começo ao
fim com destaque. O restante do elenco de apoio faz um bom trabalho. A personagem
de Chastain – Maya – também recebe ainda mais destaque por se destacar num meio
predominantemente masculino (para não dizer inteiramente), assim como a
diretora do filme. No entanto, não considero que comandar torturas seja uma
conquista da qual as mulheres possam se orgulhar. Maya traz um toque pessoal ao
filme, de que foi apenas graças ao seu sacrifício pessoal e esforço que levou a
captura do homem mais procurado do mundo.
A tortura é mostrada
de forma clara e chocante no filme. Não sei até que ponto podemos considerar as
cenas verídicas, mas é correto presumir que a CIA realmente utilizou-se de
torturas em suas investigações. Uma organização que coordenou locais como a prisão
de Abu Ghraib, e coordena ou coordenou golpes e governos ditatoriais e
assassinos em diversas localidades do mundo (nós latino americanos infelizmente
sabemos muito bem) ainda deve utilizar-se de métodos absurdos como a tortura para
obter informação. A grande dúvida que fica no filme é que se, sem a tortura, os
EUA teriam encontrado Bin Laden. E é isso que vai levar pessoas a afirmarem que
Bigelow é pró-tortura, ainda que tal afirmação não esteja clara. Espero que ela
tenha esta intenção – pois podemos observar muito bem a barbaridade que é
torturar um ser humano. Observando também a quantidade de erros que a CIA
comete, a tortura ainda torna-se mais absurda – não que torturar culpados seja justificável
de qualquer forma.
Outro pecado
gigantesco do filme, mas ao meu uma constante da dulpa Bigelow-Boal, é a
crítica rasa. Assim como em Guerra ao
Terror, em momento algum há uma mínima visão dos paquistaneses, afegãos,
sauditas, muçulmanos. O motivo pelo aparente ódio que eles têm dos americanos
(ainda que para os mais atentos, a tortura, invasões militares e bombardeios
possam ser algum indicativo), ou mesmo a brutalidade de suas forças armadas no Iraque
e Afeganistão, não é abordado. Além do excesso de atentados mostrados durante o
filme, buscando sempre justificar a caçada a Bin Laden, como se ele fosse o único
responsável por todo o mal (a tentativa do atentado em Times Square foi além da
conta).
O filme é longo e
cansativo em determinados momentos. Seu tom documental, característico de
Bigelow, é interessante. No aspecto da tortura, fica a dúvida, ainda que uma
dúvida em tal quesito não deveria existir. Mas um pouco de reflexão sobre a
crueldade de tais técnicas já deveriam ser o suficiente para nos causar repugnância.
Maya no início se mostra desconfortável com a situação; mas o espectador não
deve seguir o mesmo caminho da protagonista, pois esta mostrou-se habituada ao
procedimento no decorrer do filme, inclusive culpando o interrogado pelo
sofrimento dele e comandando torturas. O sofrimento pelo qual passam os estadunidenses
que estão envolvidos nestas operações também acaba por se equiparar pelo
sofrimento causado nas populações atacadas por eles, o que beira o absurdo.
Nota
72/100


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