Gênero: Suspense, História, Drama.
Direção: Ben Affleck
Elenco: Ben Affleck, Alan Arkin, John Goodman, Bryan Cranston, Victor Garber, Tate Donovan, Clea DuVall, Scoot McNairy, Rory Cochrane, Christopher Denham, Kerry Bishé, Kyle Chandler, Zeljko Ivanek, Titus Welliver, Sheila Vand.
País: Estados Unidos.
Tempo: 120 min.
Idioma: Inglês, Persa.
O Irã é hoje visto como um grande perigo pelos EUA e sua população, com a ideia de o país ser atrasado e governado por um ditador louco. Por isso, para uma produção hollywoodiana tratar da Crise dos Reféns em 1979, deflagrada no Irã após a Revolução Iraniana, o risco de se cair na armadilha do ufanismo patriótico era muito grande, e Affleck procurou evitar este exagero, com parcial sucesso.
A tentativa mais
evidente foi o início, em que uma sequência de desenhos acompanhada por uma
narração nos apresenta um breve resumo sobre a história do Irã e as
intervenções dos EUA através do regime do Xá, contra a vontade da maioria da
população. Mas pouco se fala após isso, com o foco mudando para a retirada dos
reféns do país, revelando um certo desequilíbrio nesta relação – uma curta
introdução mostra a ingerência dos EUA buscando seus interesses de forma
egoísta, e depois apenas a revolta da população “bárbara, exótica”, que
penduram pessoas nos postes e executam estadunidenses. Durante o decorrer do
filme há tentativas de minimizar esse desequilíbrio – principalmente ao
reconhecerem o Xá como um aliado assassino dos EUA no país, e que agora eles
teriam que suportar as consequências de se apoiar um líder tão sanguinário e
impopular, mesmo que tal consequência seja deixar seus cidadãos no cativeiro
iraniano. Também é comentado constantemente como os iranianos são muito mais
inteligentes e preparados do que os estadunidenses julgam, além de momentos com
papéis femininos de liderança na revolução. A realidade mostra que nenhum país
pode interferir de maneira tão unilateral e egoísta pelo mundo.
A direção de Affleck
é boa, tornando intrigante e criando um bom suspense mesmo para aqueles que já
conhecem o final, visto que se baseia em fatos reais. Talvez um pouco de
exagero na perseguição final no aeroporto – tenho minhas dúvidas se algo ao
menos parecido ocorreu – mas serviu para mostrar como foi delicada a retirada
dos reféns. Outro aspecto interessante que podemos notar é o fato de como em
pouco tempo, a tecnologia transformou muita coisa – o plano seria inconcebível nos
dias de hoje, principalmente se fosse descoberto, a rapidez que tal informação chegaria
ao controle do aeroporto seria incomparável.
O Irã é hoje visto como um grande perigo pelos EUA e sua população, com a ideia de o país ser atrasado e governado por um ditador louco. Por isso, para uma produção hollywoodiana tratar da Crise dos Reféns em 1979, deflagrada no Irã após a Revolução Iraniana, o risco de se cair na armadilha do ufanismo patriótico era muito grande, e Affleck procurou evitar este exagero, com parcial sucesso.
A tentativa mais
evidente foi o início, em que uma sequência de desenhos acompanhada por uma
narração nos apresenta um breve resumo sobre a história do Irã e as
intervenções dos EUA através do regime do Xá, contra a vontade da maioria da
população. Mas pouco se fala após isso, com o foco mudando para a retirada dos
reféns do país, revelando um certo desequilíbrio nesta relação – uma curta
introdução mostra a ingerência dos EUA buscando seus interesses de forma
egoísta, e depois apenas a revolta da população “bárbara, exótica”, que
penduram pessoas nos postes e executam estadunidenses. Durante o decorrer do
filme há tentativas de minimizar esse desequilíbrio – principalmente ao
reconhecerem o Xá como um aliado assassino dos EUA no país, e que agora eles
teriam que suportar as consequências de se apoiar um líder tão sanguinário e
impopular, mesmo que tal consequência seja deixar seus cidadãos no cativeiro
iraniano. Também é comentado constantemente como os iranianos são muito mais
inteligentes e preparados do que os estadunidenses julgam, além de momentos com
papéis femininos de liderança na revolução. A realidade mostra que nenhum país
pode interferir de maneira tão unilateral e egoísta pelo mundo.
No entanto, diferente
do filme de Bigelow, A Hora Mais Escura,
neste longa de Affleck um lado mais “bonzinho” e menos bruto da CIA é mostrado.
Independente da posição de Bigelow com relação a utilização da tortura, podemos
observar pontos de vista totalmente opostos sobre a organização. Toda
brutalidade do governo do Xá não é atribuída também às artimanhas da agência de
inteligência dos EUA. Um momento sutil mas que me agradou muito no filme foi a
saída da empregada (Vand) do embaixador canadense (Garber) em direção ao Iraque
– outro país que sofre com as atuações dos EUA dentro de seu território, e que
viria a ter desdobramentos ainda piores do que no Irã – ou seja, ela não terá
paz por muito tempo, tendo que enfrentar os mesmos tipos de problemas causados
pelos mesmos agentes. Ele nos mostra uma atuação brilhante da CIA, sem o uso da
violência, e faz uma propaganda tardia (ou homenagem) para o presidente
democrata Carter, que não pode nem ao menos se “vangloriar” de tal ação durante
as eleições.
A direção de Affleck
é boa, tornando intrigante e criando um bom suspense mesmo para aqueles que já
conhecem o final, visto que se baseia em fatos reais. Talvez um pouco de
exagero na perseguição final no aeroporto – tenho minhas dúvidas se algo ao
menos parecido ocorreu – mas serviu para mostrar como foi delicada a retirada
dos reféns. Outro aspecto interessante que podemos notar é o fato de como em
pouco tempo, a tecnologia transformou muita coisa – o plano seria inconcebível nos
dias de hoje, principalmente se fosse descoberto, a rapidez que tal informação chegaria
ao controle do aeroporto seria incomparável.
O diretor-ator se
saiu melhor na primeira função; ao atuar, conseguiu se encaixar num papel que
lhe fosse ao menos confortável, e sua atuação contida não prejudicou o filme. Os
coadjuvantes fazem excelentes pontas, com destaque para Arkin, Cranston e
principalmente Goodman. A suposta aparição de Jack Nicholson foi interessante também,
para os mais atentos. Há uma crítica à
Hollywood e seu circo, mídia e componentes, não tão sutil mas interessante. O que
me incomodou foi a comparação entre Hollywood e política – ainda que em certa
medida inteligente, também foi superficial e perigosa. Por mais que existam
semelhanças (muitas vezes em excesso) entre os dois, a política é algo muito
sério e de impacto gigante na vida de todos; e tampouco o cinema deve ser
encarado de maneira ingênua ou subestimado.
Nota
90/100



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