terça-feira, 15 de maio de 2012

A Fita Branca

Ficha técnica: Das weiße Band, 2009
Gênero: Drama, Suspense;
Direção: Michael Haneke. 
Elenco: Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Michael Kranz, Burghart Klaußner, Maria-Victoria Dragus, Leonard Proxauf, Rainer Bock. 
País: Alemanha, Áustria, França, Itália.
Tempo: 144 min.
Idioma: Alemão.

       Esse não é um filme ao qual podemos assistir com a cabeça na lua, conversando com o colega. Para que possamos compreendê-lo da melhor maneira possível, devemos estar atentos a todos os detalhes e principalmente, a todas as falas. E mesmo assim, ao final do filme, temos que parar e refletir um pouco sobre o que nos foi mostrado, pois é um filme muito denso, com algumas afirmações muito fortes.
    A história se passa num pequeno vilarejo no norte da Alemanha, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Conforme o mencionado no início do filme pelo narrador, os eventos que ali ocorreram poderiam explicar o que ocorreu com o país no futuro. Ele também afirma que muitos desses eventos não foram esclarecidos.
      A referência óbvia que o narrador menciona é o advento do Nazismo na Alemanha e os horrores provocados pela II Guerra Mundial. Haneke nos mostra uma sociedade patriarcal e machista, que pune todo e qualquer deslize através da violência, principalmente as crianças. As pessoas que seriam as líderes da comunidade são as mais detestáveis dentro de casa: o médico abusa sexualmente de sua filha e humilha a mulher que tanto lhe ajudou; o pastor trata os filhos na base da violência; o barão é indiferente aos sentimentos da esposa e do filho.
     Muitos dos elementos do nazismo, como autoritarismo, violência, extermínio dos considerados fracos (o menino deficiente é um exemplo evidente), a complacência silenciosa para com as ordens, a exploração e dependência de todos de um empregador abastado (no caso, o barão), dentre outros fatores, são os elementos apresentados pelo autor. Mas para que se explique o nazismo, teríamos que aplicar esta situação em toda a Alemanha, pois apenas um pequeno vilarejo não basta. E mesmo assim, outros fatores talvez ainda mais importantes estariam sendo desconsiderados: contextos sociais, políticos e econômicos.
     Assim, encarar os eventos que ali ocorreram como uma metáfora ou um retrato fragmentado do futuro alemão seria mais indicado do que a explicação para os horrores do nazismo. Mas fugindo desta tentativa de se compreender o inexplicável, também temos a interessante análise psicossocial ali apresentada. Os crimes que acabam sem uma resolução dão a entender, através da interpretação do professor, que foram cometidos pelas crianças. Os pais que puniam as crianças pelos seus erros também cometiam seus abusos e crimes, todos muito maiores. Assim, as próprias crianças passaram a puni-los por isso. Essa é minha interpretação, e como os crimes não foram desvendados, talvez não fossem as crianças, mas com certeza, esse é um dos questionamentos colocados pelo diretor.
   O filme é muito bem amarrado em seu argumento, independente da tentativa de explicar o nazismo. Os atores estão todos excelentes, principalmente as crianças. A direção do filme também é ótima. A escolha pelo preto e branco foi muito acertada, e as tomadas, closes e momentos de escuridão são excelentes e perfeitos para o filme. A crítica neste aspecto fica com o fato de serem muitos personagens, e muitas vezes confundirem os espectadores, principalmente no início, tornando difícil identificar os personagens.
      Um filme excelente, mas que seu argumento não deve ser encarado como a única explicação para o que viria a acontecer na Alemanha no futuro. Entretanto, muitos dos elementos ali postos com certeza contribuíram para o desenrolar da história.
Nota 95/100

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