sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Jogos Vorazes: Em Chamas

Ficha Técnica: The Hunger Games: Catching Fire, 2013.
Gênero: Ação, Aventura, Ficção Científica, Romance.
Direção: Francis Lawrance.
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Willow Shields, Paula Malcomson, Donald Sutherland, Elizabeth Banks, Lenny Kravitz, Stanley Tucci, Philip Seymour Hoffman, Jeffrey Wright, Amanda Plummer, Sam Claflin, Lynn Cohen, Jena Malone, Bruno Gunn, Megan Hayes, Stef Dawson, Toby Jones, E. Roger Mitchell, Maria Howell, Patrick St. Esprit, Alan Ritchson, Stephanie Leigh Schlund, Meta Golding, Nelson Ascencio, Bruce Bundy.
País: Estados Unidos.
Tempo: 146 min. 
Idioma: Inglês.


    Outro blockbuster, só que desta vez, não estamos falando de uma grande obra literária. Muito pelo contrário: apesar do potencial da história ser imenso, tanto livro quanto filme se perdem no mesmo quesito, que é o triângulo amoroso hollywoodiano. Para aqueles que buscaram o livro pensando que esta questão do romance era apenas uma característica do filme, pois agora é moda esse tipo de enredo em Hollywood (seja com vampiros, lobisomens, ET’s ou comédias), ficarão desapontados.
       Este talvez seja o maior defeito da história, que acaba optando por clichês ao invés de explorar todo potencial sociológico e político do filme, que apesar disso, tem uma bela produção, com ótimos efeitos, maquiagem e fotografia. As atuações são interessantes e sólidas – e ao menos na escolha dos atores, tivemos grandes surpresas positivas com um elenco de estrelas que vão além dos já conhecidos do primeiro filme. Desta vez temos Hoffman e Wright que fazem excelente papel, mas outros menos gabaritados também merecem destaque, como Jena Malone.
        Já a adaptação é bem fiel ao livro, ainda que este, como quase sempre ocorre, seja muito mais rico em detalhes, alguns importante, mas que não afetam a trama. A mensagem principal é transcrita para as telas sem problemas. Talvez a maior diferença, que me incomodou, foi a personagem Mags (Cohen), que no livro, é apenas uma idosa, mas não quase senil, ou mesmo muda. Aliás, as conversas com ela são bem interessantes. Outro personagem que não teve uma adaptação tão boa quanto poderia foi Finnick Odair (Claflin), que acabou sendo construído de forma bem pobre e superficial, mesmo para os padrões do filme.
       Alguns outros detalhes se perdem, mas no geral, a história é bem conduzida. E dessa vez, sepultei de vez a esperança de que o filme se explorasse seu potencial ainda mais do que o livro e o superasse. O que nos restou foi um filme interessante de entretenimento e diversão, mas com pouca reflexão – uma opção legítima e mais rentável.









Nota 68/100

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Hobbit: A Desolação de Smaug

Ficha Técnica: The Hobbit: The Desolation of Smaug, 2013.
Gênero: Aventura, Fantasia.
Direção: Peter Jackson.
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Ken Stott, Graham McTavish, William Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O'Gorman, Aidan Turner, John Callen, Peter Hambleton, Jed Brophy, Mark Hadlow, Adam Brown, Sylvester McCoy, Orlando Bloom, Evangeline Lilly, Lee Pace, Benedict Cumberbatch, Mikael Presbandt, Luke Evans, Stephen Fry, Ryan Gage, Manu Bennett.
País: Estados Unidos, Nova Zelândia.
Tempo: 161 min. 
Idioma: Inglês.

     Peter Jackson fez um fabuloso trabalho na adaptação da obra de Tolkien para o cinema. A trilogia do “Senhor dos Anéis” é realmente fantástica, com aventuras, fantasias, dramas, romances e comédia, todos estes aspectos em equilíbrio e mantendo o expectador ligado ao filme. Portanto, ao anunciar a filmagem de outra obra de Tolkien, desta vez “O Hobbit”, a expectativa era muito grande.
   Como ainda não pude ler os livros (nenhum deles), minha análise é baseada única e exclusivamente no filme, ainda que tenha lido ou conversado sobre os livros. E mesmo para quem não leu o livro “O Hobbit”, fica visível o exagero de três filmes tão longos, sendo este certamente o grande defeito do filme. Ainda que tenha feito enxertos de outros escritos do autor e conexões com a trilogia anterior (bem feitas, por sinal), muitas cenas são exageradamente longas e outras tantas desnecessárias. Tudo pelo maior lucro, pois independente da qualidade da história, o filme seria um blockbuster – e se mantém pela qualidade técnica, que é realmente excelente.
   Não pude ver o filme em 3D, mas como tenho ouvido muitas críticas para este caso específico, acredito que tenha sido melhor sem este efeito. A história conta com muitos personagens, e ainda que Jackson faça um bom trabalho, muitos deles tornam-se tediosos e pouco atrativos. O principal anão, Thorin (Armitage) está pouco carismático, enquanto que Thranduil (Lee Pace) está estereotipado ao extremo. Os demais atores fazem ótimo trabalho – com grande destaque para o protagonista Martin Freeman, o sempre excelente Ian McKellen e o ótimo trabalho de voz de Cumberbatch para Smaug. Interessante também rever Bloom na pele de Légolas e a estréia de Lilly como Tauriel.
    Outro aspecto muito positivo são as cenas de ação – as sequências são ótimas, sendo a melhor a fuga dos anões nos barris boiando no rio. Uma batalha entre elfos, orcs e anões de tirar o fôlego. Mais uma muito bem trabalhada foi a conversa entre Bilbo e Smaug, que apesar de longa, conta com uma excelente escalada na ação e tem ótimo trabalho de Freeman. Vale ressaltar também a cena entre Gandalf e o Necromancer.
     No entanto, o filme realmente perde muito em qualidade em razão do excesso de tempo. Três filmes já são muito; cada um deles com pelo menos 150 minutos então, acaba sim prejudicando a qualidade. Acredito que para aqueles que leram o livro, realmente tenha sido muita decepcionante, apesar da excelente qualidade técnica do filme e dedicação de todos envolvidos. Outro fator de decepção foi o final do filme – o último já nos deixa em meio a uma cena. Neste então, a impressão que fica é que acabou a energia antes do final do filme – temos que ver o dragão anunciar que vai atacar a cidade, deixando os anões para trás. Lamentável, ainda que seja ótimo entretenimento.
Nota 79/100

domingo, 12 de janeiro de 2014

O Homem de Aço

Ficha Técnica: Man of Steel, 2013.
Gênero: Ação, Fantasia.
Direção: Zack Snyder.
Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Russell Crowe, Diane Lane, Kevin Costner, Antje Traue, Harry Lennix, Ayelet Zurer, Christopher Meloni, Richard Schiff, Laurence Fishburne, Michael Kelly, Rebecca Buller.
País: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido.
Tempo: 143 min.
Idioma: Inglês.


       Apesar de vários elogios que ouvi em relação ao filme, nada disso se confirmou. Muito pelo contrário, encontrei um filme demasiadamente longo, confuso muitas vezes (muito por causa da direção e edição), entediante e recheado de clichês. Inacreditável pensar que foi produzido por Nolan e mesmo dirigido por Snyder, do bom Watchmen.
      A característica que marca de Nolan no filme é a constante explicação e contextualização para aqueles que desconhecem os quadrinhos. A origem do Superman é interessante. Contudo, tratado de forma extremamente superficial, diferente da trilogia Batman. Alguns dilemas morais estão no panorama de fundo, mas sequer foram tratados de forma séria. Outro aspecto são os simbolismos, com a questão da religião ser o mais evidente (Superman com 33 anos, etc), mas que também é apenas uma nota de rodapé.
      O que temos é um filme muito longo e cansativo, que se perde nos inúmeros cortes. Os clichês estão por todos os lados, o romance infantil e momentos de causar a conhecida “vergonha alheia” não faltam. Mesmo os efeitos especiais deixam a desejar em relação a filmes da Marvel, por exemplo. E as piadinhas que eu tanto critico estão ausentes, mas não são substituídas por nada. Um roteiro previsível, com arquétipos do bem e do mal, e atores que apesar de serem reconhecidamente bons, fazem um trabalho apagado, em sua grande maioria.


Nota 53/100

sábado, 11 de janeiro de 2014

Ficha TécnicaNo, 2012.
Gênero: Drama, História.
Direção: Pablo Larraín.
Elenco: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Luis Gnecco, Antonia Zegers, Néstor Cantillana, Pascal Montero, Jaime Vadell, Elsa Poblete.
País: Chile, França, México, EUA.
Tempo: 118 min. 
Idioma: Espanhol.

            Ao descobrir que este filme é o final de uma trilogia de Larraín sobre a ditadura de Pinochet no Chile, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que preciso assistir aos outros dois – Tony Manero e Post Mortem. Este longa chileno nos conta de forma brilhante os bastidores da campanha publicitária referente ao plebiscito de 1988 no país, que decidiria sobre a continuidade (sim) ou não do governo ditatorial de Augusto Pinochet.
            Filmado de forma a aparentar um documentário da época das campanhas, No traz Bernal em excelente atuação como Rene Saavedra, um filho de uma família de militantes que foram exilados. Ao retornar para o país, o publicitário torna-se parte da minoria da elite econômica chilena que desfrutava do desenvolvimento do país, enquanto que mais de 40% vivia de forma miserável e a liberdade de expressão e direitos humanos eram violados diariamente.
            No início é difícil compreender as razões que levam ao publicitário – tão bem ajustado aos confortos que a elite do capitalismo chileno desfrutava – aceitar dirigir os 15 minutos da campanha do Não (No) na televisão. Contudo, aos poucos podemos compreendê-lo melhor, ainda que as razões não fiquem clara – o que somente torna o filme ainda melhor. Talvez nem ele mesmo soubesse. Mas surgem elementos que acrescentam muito ao personagem – o filho, a esposa militante, constantemente em problemas com a polícia chilena, a família já mencionada, a disputa com o sócio-chefe e diretor rival, o protagonismo e reconhecimento profissional, etc.
            O racha dentro da esquerda chilena, que após anos de repressão está parcialmente destruída e procura se reconstruir, também fica evidente. Os diferentes partidos nanicos querem a todo custo mostrar as crueldades e absurdos cometidos pelo ditador e seu governo, aproveitar o momento para denunciar tudo que não puderam durante os 15 anos, visto que não se iludem com a possibilidade de, se vencerem, terem sua vitória reconhecida. O general fazia o plebiscito apenas por pressão internacional, mas continuava tendo apoio de grandes potências e em nenhum momento cogitava deixar o poder.
            Desta forma, apesar das divergências na esquerda e insistência em mostrar as atrocidades cometidas pela ditadura, Saavedra consegue emplacar sua ideia da mensagem positiva – o arco-íris, a mudança, jingles. Enfim, ele tem sucesso em vender mais esta ideia. O filme também trabalha a questão moral que ele enfrenta, com o passado de sua família e o fato de ele agora não estar mais trabalhando naquele ideal. Este é um fator que o impele cada vez mais para dentro do trabalho, que o envolve, bem como as saudades da esposa, que no fim das contas, lhe foi “tirada” pela ditadura.
            Também podemos perceber a pressão psicológica exercida pelo regime ainda que os tempos estivessem menos violentos e truculentos. Mas acredito que para todos que se opuseram à ditadura, fica a sensação de que o plebiscito nada foi além de um grande golpe e inovação de marketing da esquerda, e talvez seja onde o filme perca alguns pontos. A mensagem positiva foi, sem dúvida alguma, essencial para a vitória. Mas a questão envolvendo a denúncia, o enfrentamento à opressão, todos estes aspectos poderiam ser ainda mais trabalhados. Certamente os artifícios comerciais foram fundamentais – e cada vez mais são parte da política. Mas também é inegável que a forma como foi vendida a ideia pode ter afetado a transição para a democracia.

Nota 92/100

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O Pagador de Promessas

Ficha TécnicaO Pagador de Promessas, 1962.
Gênero: Drama.
Direção: Anselmo Duarte.
Elenco: Leonardo Villar, Glória Menezes, Dionísio Vieira, Geraldo Del Rey, Norma Bengell, Othon Bastos, Roberto Ferreira, Antonio Pitanga, Gilberto Marques.
País: Brasil.
Tempo: 98 min.
Idioma: Português.

    Eis um dos melhores filmes do cinema brasileiro. Vencedor da Palma de Ouro, nunca foi devidamente valorizado no Brasil. Em meio ao surgimento do cinema novo, Anselmo Duarte e Dias Gomes nos trazem algo mais tradicional que iria marcar para sempre a sétima arte no país, tanto pela sua qualidade quanto pelo reconhecimento que o filme recebeu com diversos prêmios.
   O longa continua incrivelmente atual ao tratar de temas como religião, autoritarismo, imprensa, adultério, moral e política. Ao relatar a história de Zé do Burro, um agricultor humilde que carrega uma cruz igual à de Jesus até a igreja de Santa Bárbara para pagar a promessa feita em troca da salvação de seu burro Nicolau.
   A questão da religião é apresentada de forma que possa repercutir de forma internacional (como de fato o fez), pois o autoritarismo da igreja e do padre, bem como a interpretação única da verdade dogmática, em que não se aceita qualquer visão alternativa, além do desrespeito em relação aos fiéis. Todos estes aspectos se fazem presentes, acompanhados de grande interpretação de Dionísio Azevedo como o padre Olavo. Além disso, consegue trazer um elemento nacional – a mistura de religiões – ao abordar a questão da santa e da mãe de santo, da igreja e do terreiro, aspectos das religiões brasileiras que se misturam se apropriam uma das outras, em razão da grande miscigenação cultural.
  O autoritarismo está presente não somente na questão da igreja, com o padre e o conselho episcopal, que se reúne para discutir o assunto, avaliando questões políticas sem olhar o mérito da situação. Também o percebemos na polícia, que já demonstra sua costumeira truculência ao lidar com a população em situação mais vulnerável.
   Faz ainda uma ótima demonstração da imprensa, que da mesma forma que as religiões e outras instituições buscam criar seus mitos (demonstrado no filme), também está sempre procurando inventar notícias através de um sensacionalismo barato e muito prejudicial para indivíduos e sociedade como um todo.
  As questões morais e de adultério estão associadas, mas estas não são as únicas questões morais colocadas no filme. Temos a esposa Rosa (Glória Menezes) que acaba traindo o marido com Bonitão (Del Rey) só que sente-se muito culpada. Já o marido encara isso, dentre outras dificuldades que surgem, como mais uma prova imposta pela santa, e não entende a recusa do padre em deixá-lo entrar na igreja com a cruz.
   O filme consegue mostrar as situações absurdas de forma séria mas sem cair nos estereótipos tão clichês, além de nos apresentar uma crítica quase que completa das inúmeras instituições sociais que influenciam as nossas vidas. As atuações são muito boas, ainda que alguns deles estejam um pouco caricatos demais (Del Rey principalmente), mas o grande destaque vai para o protagonista Leonardo Villar, que está realmente muito bem no filme.
    A direção de Anselmo Duarte também é primorosa, com cenas belíssimas. Toda a disputa na escadaria é muito boa, a revelação durante o filme de que o amigo salvo pela promessa é um burro também vem em hora certa (ponto para Dias Gomes, roteirista). E a última cena realmente é muito poderosa e de forte apelo popular. Um filme brilhante que merece todo o reconhecimento possível no país.

Nota 98/100

domingo, 29 de dezembro de 2013

Além da Escuridão: Star Trek

Ficha Técnica: Star Trek Into Darkness, 2013.
Gênero: Ficção Científica, Ação.
Direção: J.J. Abrams.
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Karl Urban, Simon Pegg, John Cho, Benedict Cumberbatch, Anton Yelchin, Bruce Greenwood, Peter Weller, Alice Eve.
País: Estados Unidos.
Tempo: 132 min. 
Idioma: Inglês.

   O resgate de Jornada nas Estrelas foi uma grata surpresa para todos os fãs da série e também para aqueles que não a apenas tinham ouvido falar do seriado. J.J. Abrams fez um excelente trabalho no primeiro trabalho ao apresentar personagens clássicos como Spock (Quinto), Kirk (Pine), Bones (Urban), dentre outros.
     A escolha dos atores foi realmente muito boa – com destaque para Quinto, que realmente incorporou o vulcaniano de forma marcante. No caso deste filme, o destaque também vai para o personagem Khan, interpretado muito bem por Cumberbatch. O longa também é muito bem realizado, com efeitos especiais fantásticos, ótimas sequências e uma fotografia espetacular, além da primorosa trilha sonora.
    A história nos traz a oposição sempre interessante entre a “racionalidade” de Spock e a “paixão” de Kirk, conflito sempre muito interessante e que, se bem explorado, pode engrandecer muito o filme, apesar de ser um clichê. Outros aspectos interessantes, que já se faziam presente na antiga série, é a comparação e metáforas da nossa sociedade colocadas nos alienígenas. E mais uma vez podemos perceber que isto se repete no início, com a discussão sobre invasão preventiva. Uma pena que no decorrer do longa isto se perca.
    Outro aspecto importante é a relevância dos personagens coadjuvantes – que possuem um potencial imenso a ser explorado – o próprio Dr. Bones é mero coadjuvante, quando deveria protagonizar juntamente com Kirk e Spock. E o mais triste é que há um bom ator para tal tarefa. E neste filme, acrescentam-se novos personagens – Carol (Alice Eve), sem que esteja claro o porquê. Praticamente todas suas passagens poderiam ser realizadas por Uhura (Saldana), Sulu (Cho) ou Chekov (Yelchin), que tornaria mais interessante e acrescentaria em profundidade no roteiro.
    Além de inúmeros furos do roteiro, com soluções malucas sendo que a resposta era bem mais simples (como a questão do sangue de Khan), há uma banalização de algumas questões centrais e super impactantes como ressurreição ou teletransporte. Ao priorizar cenas de ação e os efeitos sem muito conteúdo, o filme acaba por se tornar superficial demais.
     Continua sendo um ótimo entretenimento – e se fosse algo como a sequência de Transformers, que em nenhum momento se propõe sério, minha crítica seria outra. Mas como percebemos um potencial muito grande para tornar este um filme de ficção um pouco mais digno e relevante dentro do bom cinema, fica a decepção em ver um vingança de um indivíduo que ainda passa a ser justificada.
Nota 70/100

sábado, 28 de dezembro de 2013

A Vida de Brian

Ficha TécnicaLife of Brian, 1979.
Gênero: Comédia.
Direção: Terry Jones.
Elenco: Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin, Terence Bayler, Carol Cleveland.
País: Reino Unido.
Tempo: 94 min. 
Idioma: Inglês, Latim.

     Geralmente sou muito crítico de comédias – e elas tendem a não me agradar muito. Contudo, este filme supera a estrutura de seu gênero. Melhor do que isso, ele a utiliza para fazer algo realmente muito inteligente. A Vida de Brian, além de nos fazer rir, nos apresenta forte críticas e análises sobre temas como religião, política, sociedade e costumes.
      O grupo Monty Python foi inteligente na forma de se realizar o filme. Ao invés de satirizar a vida de Jesus Cristo, optou-se por satirizar alguns as aspectos conservadores não somente da religião, mas da sociedade como um todo. As formas de representações religiosas e políticas, as tradições inventadas – todos estes são temas que se fazem presentes nesta brilhante comédia. A intenção não é ofender os crentes, e sim as instituições que manipulam a fé das pessoas, em qualquer coisa, e não apenas a fé religiosa.
     O filme é muito bem produzido e dirigido, com um roteiro fora de série. As sequências e diálogos são ótimos, que podem arrancar risos da platéia desde o primeiro minuto até seu final. O único aspecto que fica abaixo da qualidade do próprio filme, ao meu ver, são as atuações – ainda que tenham revolucionado o humor de forma fantástica, as atuações enquadram-se no caricaturesco e pastelão – o que não condiz com o roteiro. Talvez a intenção tenha sido deixar claro que era uma sátira (também à Hollywood). Se foi este objetivo, foi bem alcançado, mas não acredito que engrandeça o filme, ainda que possa ter sido necessário.






Nota 93/100

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Retrato de Dorian Gray

Ficha TécnicaDorian Gray, 2009.
Gênero: Drama, Fantasia, Suspense.
Direção: Oliver Parker.
Elenco: Ben Barnes, Colin Firth, Ben Chaplin, Rebecca Hall, Rachel Hurd-Wood, Emilia Fox, Fiona Shaw, Caroline Goodall, Johnny Harris, Max Irons.
País: Reino Unido.
Tempo: 112 min.
Idioma: Inglês.

    Ainda não li este clássico da literatura mundial, de Oscar Wilde. Contudo, exatamente por ser um clássico, sua abordagem é conhecida mundialmente, mesmo para os que não o leram. E nada do que se esperava estava presente no filme.
   Ao que me parece, o panorama do livro é a questão das aparências e beleza em conflito com a moral, e a supervalorização destes aspectos na sociedade. Contudo, o filme fica preso à questão do suspense, da ação, sem colocar qualquer profundidade. A transformação do personagem principal (Barnes) é dada como natural, passando de um ‘bom moço’ para um homicida egocêntrico em pouco tempo.
     Colin Firth vai bem em seu papel, mas o arquétipo do malandro e malvado que influencia o bom menino no começo acaba minando qualquer possibilidade de desenvolver o personagem. O mesmo se aplica ao trabalho de Basil (Chaplin), que tem sua atração por Gray totalmente descontextualizada. Barnes não compromete com sua atuação, mas tampouco aprimora a trama.
   A produção do filme está razoável, com destaque para a maquiagem utilizada. A direção se perde, junto com o roteiro – de um início empolgante e que atrai a atenção do espectador, acaba desviando do caminho, tornando-se cansativo e fazendo com que percamos o interesse. Enfim, um filme dispensável, que apenas não se revelou ainda pior em razão de contar com uma boa história – o livro.
Nota 54/100

domingo, 22 de dezembro de 2013

Duelo de Titãs

Ficha TécnicaRemember the Titans, 2000.
Gênero: Biografia, Drama, Esporte.
Direção: Boaz Yakin.
Elenco: Denzel Washington, Will Patton, Wood Harris, Ryan Hurst, Donald Faison, Craig Kirkwood, Ethan Suplee, Kip Pardue, Hayden Panettiere, Ryan Gosling, Earl Poitier, Kate Bosworth, Burgess Jenkins, Nicole Ari Parker.
País: Estados Unidos.
Tempo: 100 min. 
Idioma: Inglês.

    O esporte é um tema muito recorrente no cinema hollywoodiano. Também é comum a utilização de contextos sociais e de superação (dentro e fora do esporte) aliados a esta categoria de cinema. Como grande fã de esportes e também desta contextualização, talvez não consiga ter o mesmo tipo de objetividade como em outras análises. Mas é ótimo poder contar também com a questão da transformação social causada pela prática esportiva, através da valorização do coletivo. 
    Neste longa temos uma história real de um treinador negro que assume a equipe de futebol americano de uma escola do colegial em seu primeiro ano de integração racial. A animosidade surge desde que o técnico, ainda que reconhecidamente competente, toma o lugar do antigo treinador, que apesar das divergências, assume o cargo da coordenação defensiva.
     Apesar dos clichês de superação, última bola, melhores atletas “inimigos” que se tornam amigos, dentre outros, o filme cumpre bem o papel de ambientar o telespectador no ambiente de preconceito racial nos EUA na época. Faz também um bom trabalho ao apontar outros preconceitos, como de gordos ou homossexuais, além de evitar o estereótipo do “branco malvado”. Temos as cenas de racismo forte, que nos causam (ou deveriam) náuseas, mas também a dificuldade em se adaptar de todos a este novo “modelo” de sociedade.
     As atuações dos técnicos (Washington e Patton) são excelentes, e o destaque para Panettiere, ainda criança – sendo o lado cômico do filme, que conta com pesados momentos dramáticos. O elenco dos jovens atletas é bom e, apesar de não termos nenhuma grande atuação de destaque, o trabalho conjunto deles contribui para a produção. O filme conta com ótima trilha sonora, enquanto que as cenas do futebol são boas, apesar de não serem o forte do longa. Um filme ótimo para o entretenimento, com cunho social importante e fundamental, principalmente dentro da sociedade estadunidense, ainda que não seja muito profundo, além de ser ótimo entretenimento.

Nota 80/100

sábado, 21 de dezembro de 2013

A Garota da Capa Vermelha

Ficha TécnicaRed Riding Hood, 2011.
Gênero: Fantasia, Horror, Suspense.
Direção: Catherine Hardwicke.
Elenco: Amanda Seyfried, Shiloh Fernandez, Max Irons, Gary Oldman, Billy Burke, Virginia Madsen, Lukas Haas, Julie Christie, Shauna Kain, Michael Hogan, Adrian Holmes, Cole Heppell, Michael Shanks.
País: Estados Unidos, Canadá.
Tempo: 100 min. 
Idioma: Inglês.

     Ao se escolher a diretora da Saga Crepúsculo para dirigir um filme com um lobo gigante e um triângulo amoroso, não podíamos esperar muito mais do que uma péssima continuação da sofrível quadrilogia do referido best-seller. Não uma continuação da história, e sim em termos de (falta) qualidade, estilo, direção, elenco, etc.
   A história que supostamente seria mais uma versão mais sombria de uma fábula infantil (primeiro clichê do cinema), revela-se um romance adolescente (segundo clichê), em formato de triângulo amoroso (terceiro clichê) em que a mocinha se vê obrigada a casar com o bom menino rico, mas ama o amigo pobre e trabalhador da vila (quarto clichê). A este drama todo, surge também a questão sobre quem é o lobo, em que todos da cidade são suspeitos (quinto clichê) e, por fim, o final feliz que se pretende diferente, mas não o é.
     Já a produção do filme, nada de inovador, além de cenas bizarras, como o diálogo ridículo com o lobo. O objetivo de obter um filme autorizado para todas as idades acabou por tornar muito menos sombrio do que se esperava e também menos adulto. Inclusive as cenas que envolveriam qualquer conotação sexual ou de violência foram amenizadas. Os estereótipos estão por toda parte do filme, muito mal trabalhados.
   O elenco é fraco, com atuações caricaturescas decepcionante. Amanda Seyfried faz um trabalho razoável, mas é cercada de inépcias e mediocridade. Os dois pretendentes são terríveis, passíveis de vergonha alheia. Burke faz o mesmo papel de pai que fez na saga Crepúsculo, mas agora ele é também o lobisomem, que além de previsível em determinado momento, torna ainda pior. Christie e Oldman estão caricaturescos demais, não lembrando nem de longe os bons atores que são. Não se salva ninguém.
   Um longa decepcionante para muitos, que duvido que tenha obtido sucesso mesmo junto ao público adolescente, além de ser totalmente dispensável na história do cinema. Esperava-se algo com mais suspense, mas revelou-se cômico, não por intenção, mas pela mediocridade – o que o torna péssimo.


Nota 38/100